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Futebol Masculino

Crise no Corinthians: a conta da gestão e a pressão por Memphis

Manutenção de alto custo no elenco e decisões de diretoria revelam que fragilidade do clube vai além dos erros do ex-treinador Fernando Diniz.

Logotipo do Corinthians ao fundo com silhueta de jogador em campo.
Memphis e Fernando Diniz durante treino do Coritnhians na Data Fifa Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Gestão e a ilusão das soluções milagrosas

O Corinthians atravessa um momento crítico no Campeonato Brasileiro de 2026, com o clube assombrado pelo risco de rebaixamento. Conforme aponta o colunista Rodrigo Mattos, do UOL Esporte, essa crise não deve ser atribuída exclusivamente ao trabalho de Fernando Diniz, recém-demitido após uma sequência de sete derrotas. A situação reflete uma sucessão de erros de gestão que insistem em repetir práticas antigas, frequentemente alimentadas pela pressão da torcida e por expectativas de soluções milagrosas que ignoram a realidade financeira alvinegra.

A falha no controle de custos do futebol

Após o encerramento da gestão de Augusto Melo, a diretoria liderada por Osmar Stábile tentou implementar medidas de austeridade. Embora tenha obtido êxito na negociação de dívidas tributárias e no pagamento de 'transfer bans', o clube falhou em um ponto crucial: o corte de despesas no departamento de futebol. O orçamento para 2026 previa uma redução de R$ 90 milhões nos custos do setor, meta que foi completamente ignorada pela diretoria ao longo do ano.

Essa ineficiência financeira é acompanhada pela recusa em vender atletas, uma estratégia que visava a manutenção do nível técnico para a conquista de títulos, como a Libertadores. O resultado dessa insistência foi o aumento do passivo e o atraso no pagamento de compromissos financeiros em diversas frentes.

O impacto da permanência de Memphis Depay

A renovação de contrato do atacante Memphis Depay simboliza a desconexão entre o planejamento da diretoria e a urgência financeira. Cedendo a pressões externas e de influenciadores, o Corinthians manteve um atleta de alto custo que se provou incompatível com o momento econômico do clube. Dentro de campo, o investimento não se traduziu em desempenho, com o jogador falhando em momentos decisivos, como no pênalti perdido contra o Estudiantes e na chance desperdiçada contra o Internacional.

A manutenção de Memphis e de outros jogadores caros impediu o necessário saneamento financeiro, tornando a crise atual uma responsabilidade dividida entre o comando técnico — que falhou na montagem e nos resultados — e a cúpula administrativa, que optou pelo risco excessivo.

O cenário pós-Diniz e o futuro

A passagem de Fernando Diniz, encerrada após o revés contra o Internacional, foi marcada por um futebol que não encontrou identidade até os seus instantes finais, quando o treinador tentou improvisar Garro como volante e sobrecarregar o ataque. Contudo, a saída do técnico não resolve o problema institucional que coloca o clube em situação precária na tabela.

O próximo passo do Corinthians envolve a busca por um novo comando técnico, com nomes como Ramón Díaz e Sylvinho sendo avaliados internamente. Enquanto a comissão técnica é renovada, o clube precisa lidar com as consequências de suas decisões administrativas para evitar que o desequilíbrio entre o que se gasta e o que se produz leve o time a um abismo ainda mais profundo na reta final da temporada.

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