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Bastidores

Corinthians acumula atrasos e vê acordo bilionário com a União em risco

Clube não honrou parcelas de transação tributária e soma mais de R$ 27 milhões em débitos pendentes com a PGFN; rescisão do contrato pode ser disparada

Logotipo do Sport Club Corinthians Paulista e fachada do Parque São Jorge
1 de 1 Osmar Stabile antes de Corinthians x Internacional pela Copa do Brasil — Foto: Marcos Ribolli

Inadimplência compromete acordo com a União

O Sport Club Corinthians Paulista vive um momento de grave instabilidade financeira. O clube falhou em honrar a parcela de setembro e já acumula um atraso de quatro prestações referentes ao acordo de transação tributária firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Esse pacto, assinado em fevereiro deste ano, foi essencial para renegociar uma dívida total com a União, reduzindo o passivo bilionário para R$ 679 milhões.

Com a inadimplência persistente desde junho, o montante em aberto atingiu R$ 27.326.394,64. Desse total, R$ 8.007.929,92 referem-se a débitos previdenciários e R$ 19.318.464,72 a obrigações não previdenciárias. Os valores das parcelas sofrem reajustes contínuos pela taxa Selic, o que eleva a pressão sobre o fluxo de caixa do Timão, que já enfrenta dificuldades para manter pagamentos de direitos de imagem e salários de jogadores.

O impacto da possível rescisão contratual

O acordo estabelece, conforme a Portaria PGFN/ME nº 6.757/2022, que o não pagamento de três parcelas, sejam elas consecutivas ou alternadas, autoriza a rescisão imediata do contrato. Caso a Procuradoria decida pelo rompimento, o Corinthians sofreria um revés financeiro expressivo: o montante original da dívida seria restabelecido em sua totalidade, eliminando os descontos obtidos e deduzindo apenas os valores efetivamente quitados durante a vigência do acordo.

Além do impacto direto no balanço, a rescisão acarretaria sanções administrativas severas. O clube ficaria impedido, pelos próximos dois anos, de firmar qualquer novo acordo de transação tributária, mesmo que voltado para dívidas de natureza distinta. Esse cenário limitaria drasticamente a capacidade da diretoria em gerir seu passivo fiscal a longo prazo.

Cenário de crise nas contas do clube

A situação com a PGFN ocorre em um momento em que as finanças do Corinthians apresentam fragilidade acentuada. Com um endividamento total que chega aos R$ 2,8 bilhões, o clube acumulou um déficit de R$ 278,705 milhões apenas nos sete primeiros meses de 2026. A rotina do Parque São Jorge tem sido marcada pelo atraso de compromissos cotidianos, incluindo direitos de imagem do elenco, férias, premiações e, pontualmente, salários de CLT.

Vale lembrar que o próprio acordo com a PGFN foi alvo de polêmicas internas durante a aprovação das contas de 2025. Embora o contrato tenha sido celebrado em 2026, a gestão optou por incluir os efeitos da transação tributária no balanço do ano anterior, gerando divergências sobre a transparência do processo financeiro.

Próximos passos e posição da diretoria

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional notificou formalmente o Corinthians sobre a inadimplência ainda em agosto. Em nota enviada ao portal ge, o órgão manteve cautela ao afirmar que não comentará cenários futuros, esclarecendo que a transação, até o presente momento, mantém seu status de regularidade. A legislação vigente garante ao clube o prazo de 30 dias após a notificação para regularizar os débitos ou apresentar defesa administrativa.

A estratégia da diretoria é apostar na manutenção de um bom relacionamento institucional com a PGFN para sanar a pendência o mais rapidamente possível. O clube busca, por meio do diálogo, evitar que a rescisão se concretize e preserve as condições de pagamento conquistadas na transação.

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