Uma aposta vinda do futsal
Breno Bidon, hoje um dos pilares do elenco profissional do Corinthians e nome recém-convocado para a Seleção Brasileira, construiu uma trajetória no Parque São Jorge que foge aos moldes tradicionais do futebol brasileiro. A revelação partiu de Robson Zimmermann, ex-captador e coordenador técnico das categorias de base do clube, que detalhou como o jovem volante foi descoberto quando ainda atuava pelo sub-14 do futsal.
Diferente da maioria dos atletas, que realizam a transição para o campo entre os 9 e 12 anos, Bidon foi identificado em uma etapa mais avançada de sua formação. Para o Timão, a descoberta importa por ter sido um processo atípico de observação de talentos, reforçando a importância de um olhar atento para modalidades complementares como o futsal na busca por novos jogadores para o profissional.
O detalhe que convenceu a comissão
A captação de Bidon foi fundamentada na análise do comportamento do jogador em espaços reduzidos. Zimmermann destacou que, mesmo no futsal, a passada e o manejo corporal do jovem chamaram a atenção de imediato, características que foram determinantes para o convite de um período de testes nas dependências do clube.
O plano original do Corinthians previa avaliações mensais pontuais, mas o desempenho do atleta superou as expectativas. Logo no primeiro treino, a comissão técnica solicitou a permanência de Bidon para observação intensiva, o que resultou em uma aprovação definitiva após apenas duas semanas de atividades no campo.
Crítica à formação no Brasil
Durante a entrevista ao programa Papo de Craque, da TMC, Robson Zimmermann fez um alerta sobre os problemas crônicos na formação de jogadores no cenário nacional. Segundo o ex-coordenador, a pressão por resultados imediatos faz com que muitos clubes alterem as posições dos jovens precocemente, o que acaba por sufocar as características naturais e o desenvolvimento técnico do jogador.
Para ele, esse processo é um erro que pode custar milhões ao clube, sendo fundamental que o processo de desenvolvimento seja coletivo e conte com diferentes profissionais ao longo dos anos, evitando que o talento seja desperdiçado por decisões baseadas em necessidades momentâneas de escalação.
Planejamento e o futuro do Timão
Olhando para o sucesso do modelo europeu, onde o tempo de maturação de um jogador pode levar até cinco anos, Zimmermann defende que o Corinthians adote uma programação mais rigorosa na transição da base para o profissional. Ele citou exemplos de atletas que, ao serem lançados com o planejamento adequado e períodos de adaptação supervisionados, garantem maior segurança esportiva ao clube.
A lição que fica para os próximos passos é a necessidade de um planejamento claro. Em um cenário onde o clube precisa equilibrar a responsabilidade financeira com o uso da base, o coordenador reforça que lançar jovens ao profissional deve ser um ato programado, evitando que a falta de preparo coloque em risco o futuro de promessas que, como Bidon, hoje se tornaram realidade e orgulho da Fiel.


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