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Juíza decidirá permanência de promotor em processo contra vice do Corinthians

Procuradoria-Geral enviou à 25ª Vara Criminal pedido da defesa de Armando Mendonça para afastar Cássio Conserino do chamado Caso Nike.

Juíza decidirá permanência de promotor em processo contra vice do Corinthians em pauta institucional do clube
Armando Mendonça é vice-presidente do Corinthias desde 2024 Imagem: Reprodução/Instagram Armando Mendonça

A juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda, decidirá se o promotor Cássio Roberto Conserino continuará atuando no processo que envolve Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians. A discussão faz parte do chamado Caso Nike, investigação sobre possíveis irregularidades relacionadas a estoque e retirada de materiais esportivos fornecidos ao clube.

A defesa pediu o afastamento do promotor por considerar que ele não teria a imparcialidade necessária. Conserino rejeitou o argumento e afirmou não existir fundamento legal para sua retirada. A Procuradoria-Geral de Justiça entendeu que não cabia à chefia do Ministério Público decidir a questão e devolveu o pedido ao Judiciário.

O envio não representa decisão favorável a nenhuma das partes. A magistrada deverá analisar os argumentos e definir quem permanece responsável pela acusação. Até essa manifestação, Conserino continua vinculado ao caso e Armando mantém todos os direitos de defesa.

Como o pedido chegou à juíza

Amanda Eiko Sato havia encaminhado inicialmente a discussão à Procuradoria-Geral. Seu entendimento era de que o Ministério Público, como órgão responsável pela acusação, deveria avaliar a alegação de parcialidade de um de seus integrantes. O procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa adotou interpretação diferente.

Segundo documento obtido pelo UOL, a chefia do MP considerou que a decisão deve ser judicial. A peça foi então enviada de volta à 25ª Vara. Esse movimento processual trata apenas da permanência do promotor e não examina o mérito das acusações relacionadas aos materiais da Nike.

A separação é essencial. Discutir impedimento ou suspeição de um representante do Ministério Público não significa confirmar ou rejeitar a denúncia. O processo principal seguirá seu rito, respeitando produção de provas, manifestações das partes e decisões sujeitas aos recursos previstos em lei.

Vice-presidente tornou-se réu em junho

Em junho, a juíza aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou Armando réu. Ser réu significa responder formalmente a um processo; não equivale a condenação. Na mesma decisão, pedidos de restrições contra o dirigente foram rejeitados.

A investigação apura a gestão de itens fornecidos pela Nike ao Corinthians. Como o caso envolve patrimônio do clube e um integrante da direção, a apuração tem interesse público para a torcida. Esse interesse não autoriza antecipar culpa nem tratar versões da acusação como fatos definitivamente provados.

Armando tem direito de contestar provas, apresentar sua versão e questionar a atuação dos responsáveis pelo caso. O Ministério Público, por sua vez, deve sustentar cada afirmação nos autos. A decisão final caberá à Justiça depois do contraditório.

Próximos passos

A etapa imediata é a análise de Amanda Eiko Sato sobre o pedido de afastamento. A decisão poderá manter Conserino ou determinar sua substituição, conforme os fundamentos apresentados. Eventuais recursos podem prolongar a discussão.

Enquanto isso, o Corinthians precisa cooperar com solicitações oficiais e preservar documentos. Também deve separar a defesa institucional do clube da defesa pessoal de dirigentes. Recursos e estruturas do Corinthians não podem ser usados sem transparência para proteger interesses particulares.

A cobertura continuará diferenciando investigação, denúncia, condição de réu, julgamento e condenação. Essa precisão não diminui a gravidade do tema; evita distorções. O torcedor merece apuração rigorosa e acesso às decisões, sem sentença antecipada nas redes ou no noticiário.

Análise do Dale Coringão

O Caso Nike exige duas posturas simultâneas: fiscalização firme sobre o patrimônio do Corinthians e respeito integral ao devido processo. A decisão sobre o promotor não resolverá o mérito. O clube deve garantir documentos e transparência, enquanto acusação e defesa apresentam suas provas perante uma magistrada independente.

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