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Política

MP exige explicações do Corinthians sobre pagamentos ao Fiel da Sorte

Promotoria investiga supostas irregularidades em contrato de R$ 6,9 milhões e avalia possível intervenção judicial no clube.

Fachada da sede social do Sport Club Corinthians Paulista.
O programa Fiel da Sorte encerrou as divulgações nas redes sociais há mais de dois anos Imagem: Divulgação/Fiel da Sorte

MP exige explicações sobre pagamentos do Fiel da Sorte

O Ministério Público de São Paulo deu um prazo de dez dias para que o Corinthians identifique os responsáveis pela fiscalização e pelos pagamentos feitos à empresa Incentiva, administradora do programa 'Fiel da Sorte'. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social investiga indícios de irregularidades em um contrato que movimentou cerca de R$ 6,9 milhões entre agosto de 2023 e maio de 2026.

A cobrança, formalizada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, exige o nome dos gestores que autorizaram o pagamento de 36 notas fiscais, além de detalhes sobre transferências bancárias e via Pix. O caso é encarado com seriedade pelo órgão, que busca determinar se houve falha deliberada no controle administrativo do clube.

Gestão temerária e ameaça de intervenção judicial

A investigação ganhou contornos mais graves ao tratar a possibilidade de gestão temerária no clube entre 2023 e 2026. Segundo o MP, há elementos que sugerem que o patrimônio alvinegro foi colocado em risco por administrações que autorizaram repasses financeiros sem a devida contrapartida ou relatórios de controle previstos em contrato.

Dada a natureza das apurações, o Ministério Público avalia se os fatos constituem motivos legais para uma intervenção judicial no Corinthians. Embora o clube figure tecnicamente como vítima na condição de pessoa jurídica, a Promotoria foca agora em individualizar a responsabilidade de dirigentes e funcionários que ignoraram as irregularidades na prestação de serviço da Incentiva.

Divergências contratuais e dados sob análise

Um dos pontos de maior atenção na investigação é a continuidade dos pagamentos mesmo após o fim da divulgação do 'Fiel da Sorte' nos canais oficiais do clube, em abril de 2024. Os desembolsos seguiram ocorrendo até 2026, levantando dúvidas sobre a real prestação dos serviços de 'rabiscadinhas' e sorteios prometidos aos torcedores.

Arquivos eletrônicos analisados mostram um crescimento na base de usuários, que saltou de 33.061 em maio de 2023 para 59.101 em agosto de 2026. No entanto, a Promotoria ressalta que esse aumento cadastral não comprova a efetiva realização dos sorteios ou a entrega de prêmios aos associados, sendo necessária uma averiguação completa sobre a execução do contrato.

Próximos passos e silêncio do clube

Agora, o Corinthians tem a responsabilidade de entregar à Promotoria toda a documentação que comprove quem deveria fiscalizar o contrato e quem, de fato, autorizou o repasse milionário à empresa. A investigação segue em curso para confirmar a extensão das possíveis fraudes e a omissão dos responsáveis internos.

Procurado pela reportagem do UOL para comentar a notificação do Ministério Público e as suspeitas de irregularidades, o Corinthians não se manifestou até a publicação desta matéria. O clube ainda pode apresentar sua defesa técnica e a documentação requisitada dentro do prazo estabelecido pelas autoridades.

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