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Futebol Feminino

Fim de era? Corinthians encerra Brasileirão com alerta máximo

Derrota na final para o São Paulo coroa temporada de instabilidade, dívidas e desgaste na modalidade; Brabas buscam reação no Paulista e Libertadores

Jogadoras do Corinthians Feminino lamentam derrota em campo
Jogadoras do Corinthians lamentam perda do título do Brasileirão Feminino Imagem: Marco Miatelo/AGIF

O fim da hegemonia: um 2026 para esquecer

O Sport Club Corinthians Paulista vive seu momento mais delicado no futebol feminino em uma década. Ao perder a final do Brasileirão Feminino para o São Paulo, por 3 a 2 no placar agregado, as Brabas não apenas viram o rival levantar a taça, mas também encerraram uma sequência histórica de seis títulos nacionais consecutivos. O revés na Neo Química Arena, palco onde o time sofreu sua primeira derrota em 33 partidas, simboliza a instabilidade de uma temporada marcada por desempenhos aquém do esperado e problemas extracampo.

O cenário de 2026 é atípico para o clube que se tornou referência continental. A equipe começou o ano amargando vice-campeonatos no Mundial de Clubes e na Supercopa do Brasil, este último contra o rival Palmeiras. Além disso, foi eliminada pela Ferroviária nas oitavas de final da Copa do Brasil, fatos que evidenciam o desequilíbrio e o aumento da competitividade dos concorrentes diretos sobre o projeto corinthiano.

Instabilidade técnica e mudanças no comando

A temporada de 2026 registrou um marco negativo inédito: a primeira troca de comando técnico por desempenho na história recente do projeto. Após a saída de Arthur Elias para a Seleção Brasileira em 2023, o clube buscou manter a rota, mas a instabilidade obrigou a diretoria a substituir Lucas Piccinato por Emily Lima ainda em fevereiro.

A mudança, contudo, não estancou as dificuldades. Emily Lima passou a ser alvo de questionamentos frequentes por parte da torcida e da imprensa, especialmente após a derrota no jogo de ida da final contra o São Paulo. A necessidade de adaptar jogadoras a funções fora de suas posições originais, citada pela própria treinadora ao longo dos meses, refletiu a dificuldade em reforçar o elenco devido às limitações orçamentárias enfrentadas pelo clube.

Dívidas e a pressão sobre o Parque São Jorge

A crise dentro das quatro linhas é alimentada por um desgaste administrativo profundo. Em agosto, a treinadora Emily Lima e cerca de dez atletas estiveram no Parque São Jorge em reunião com o presidente Osmar Stabile para cobrar o pagamento de direitos de imagem atrasados. Embora uma parte dos débitos tenha sido quitada antes da semifinal contra o Bahia, o passivo segue preocupante.

Segundo apuração do UOL Esporte, o Corinthians ainda possui pendências graves, incluindo oito parcelas da premiação pelo título da Libertadores de 2025 e valores referentes aos vice-campeonatos do Mundial e da Supercopa de 2026. A diretoria aposta na venda da zagueira Letícia Teles ao Al Qadsiah, da Arábia Saudita, por R$ 4 milhões, para honrar os compromissos, embora o recebimento seja parcelado, o que limita o fluxo de caixa imediato para novos investimentos.

Próximos passos e a busca pela redenção

Apesar da frustração no Brasileirão, a temporada das Brabas não foi encerrada. O elenco volta suas atenções agora para a disputa do Campeonato Paulista e a sequência da Libertadores, competições vitais para tentar salvar o balanço esportivo do ano e manter o prestígio da modalidade no clube.

Para a diretoria, o desafio imediato é resolver as pendências financeiras com o plantel, fator fundamental para retomar a confiança interna. O Corinthians agora enfrenta uma nova realidade: seus principais rivais estão mais próximos e organizados, obrigando o Timão a repensar sua estratégia para manter o protagonismo que construiu desde 2017.

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