Uma odisseia internacional na década de 80
Em 1982, o calendário do futebol brasileiro era drasticamente diferente do atual. Sem competições como a Copa do Brasil ou a Sul-Americana, os clubes buscavam preencher as datas vagas com excursões internacionais. Foi nesse cenário que o Corinthians partiu para uma série de amistosos pelos Estados Unidos e pelo Caribe, em uma jornada histórica que durou cerca de 12 dias e ficou marcada na memória de quem viveu a experiência, como o ex-atacante Casagrande.
O roteiro da expedição alvinegra, detalhado pelo ídolo em coluna ao UOL Esporte publicada em 3 de novembro de 2026, começou por Los Angeles. A estadia na Califórnia foi especial para os atletas, que ficaram hospedados de frente para o Forum, ginásio que na época era a casa do Los Angeles Lakers, despertando a admiração de Casagrande pelos astros Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar.
Aventura na Disney e vitória em campo
O primeiro compromisso da excursão foi contra o Atlante, do México, equipe que contava com nomes de peso como o polonês Lato, artilheiro da Copa de 1974, e o brasileiro Cabinho. Antes da partida, o então treinador Mário Travaglini concedeu um dia livre ao elenco para que pudessem conhecer a região.
Parte do grupo, incluindo Casagrande, Gomes, Paulinho, Luis Fernando e Biro-Biro, decidiu visitar a Disneylândia. A euforia com o passeio quase custou caro à logística da equipe: os jogadores retornaram ao estádio carregados de sacolas de compras apenas 30 minutos antes do apito inicial. Apesar do contratempo e da chegada fragmentada ao estádio, o Corinthians superou o Atlante por 3 a 2, com dois gols de Casagrande e um de Sócrates.
Goleada histórica no Caribe
Após o duelo nos Estados Unidos, a delegação seguiu para Trinidad e Tobago para o confronto contra a seleção local. Casagrande descreve o ambiente caribenho como uma descoberta fascinante para a época, destacando a conexão cultural da ilha com o reggae, um ritmo que soava revolucionário para os brasileiros que ali chegavam.
Dentro de campo, o desempenho do Timão foi avassalador, resultando em uma vitória por 8 a 2. O jogo foi marcado por momentos de descontração e pela ampla rotatividade imposta pelo técnico Mário Travaglini, que promoveu diversas alterações no intervalo, incluindo a entrada do goleiro reserva Sollitinho, amigo de longa data de Casagrande desde os tempos de categoria de base.
Legado e relevância histórica
O resgate dessas memórias por Casagrande reforça a importância das excursões internacionais como parte essencial da construção da identidade e da história do Corinthians. Em uma era sem a tecnologia e a conectividade de hoje, esses encontros serviam como intercâmbios culturais e esportivos únicos.
Embora não existam planos para novos eventos de celebração específica desta excursão de 1982, o registro mantém viva a memória do elenco corinthiano da época, destacando a camaradagem e o amadorismo romântico que definiam o futebol nacional há mais de quatro décadas, consolidando o peso desses amistosos no folclore do clube.


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