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Corinthians encaminha renovação com a Ezze por R$ 3 milhões até dezembro

Patrocínio fixo será menor que no acordo anterior, mas clube negocia participação comercial em produto ligado a Memphis Depay.

Corinthians encaminha renovação com a Ezze por R$ 3 milhões até dezembro em notícia do Corinthians
Ezze tem ação específica com Memphis Depay Imagem: Gustavo Vasco / Corinthians

O Corinthians encaminhou a permanência da Ezze Seguros como patrocinadora até dezembro de 2026. Segundo apuração do UOL, as condições comerciais foram acertadas e o documento enviado ao presidente Osmar Stabile para assinatura. A formalização ainda depende desse ato, por isso o vínculo deve ser tratado como concluído entre as partes, mas não como contrato já anunciado oficialmente.

O valor fixo previsto é de R$ 3 milhões até o fim da temporada. A quantia é inferior aos R$ 5 milhões do acordo anterior pela exposição da marca nas costas da camisa. A redução exige explicação porque ocorre em um momento de forte necessidade de receitas. O clube avalia, porém, que a nova composição inclui oportunidades adicionais capazes de ampliar o retorno.

A principal novidade envolve o produto Ezze Seguro A10, desenvolvido com Memphis Depay como garoto-propaganda. A negociação foi feita entre a seguradora e o jogador, mas o Corinthians passará a receber um percentual da operação e uma remuneração semelhante a royalties. Os critérios de cálculo e pagamento não foram detalhados publicamente.

Receita fixa cai, variável ganha espaço

Trocar parte de um valor garantido por participação comercial aumenta a incerteza. Os R$ 3 milhões podem ser comparados imediatamente com o contrato anterior; royalties dependem de vendas, base de cálculo, prazo e prestação de contas. Para saber se a renovação é vantajosa, o Corinthians precisa estimar cenários e assegurar acesso aos números da operação.

A presença de Memphis cria alcance de marca, mas também concentra o produto na imagem de um atleta. Lesão, saída futura ou baixa adesão podem afetar resultado. O contrato deve prever o que acontece em cada situação e quais obrigações cabem à seguradora, ao jogador e ao clube. Sem essas cláusulas, a expectativa comercial não pode ser contabilizada como receita garantida.

O acordo também precisa ser avaliado dentro do inventário de patrocínios da camisa. Espaço, exclusividade por setor e ativações têm valores diferentes. A diretoria deve demonstrar que não limitou negociações futuras nem aceitou contrapartidas incompatíveis com a exposição oferecida.

Memphis amplia a relação comercial

A renovação do atacante até 2028 alterou o relacionamento entre Corinthians e Ezze. O produto ligado ao camisa 10 permite que o clube participe de uma ação antes restrita à empresa e ao jogador. É uma forma de capturar valor da associação entre atleta e marca, prática comum em contratos comerciais modernos.

O ganho, contudo, precisa ser transparente. Percentual, periodicidade, auditoria e eventuais mínimos garantidos são informações essenciais para os órgãos internos. O torcedor não necessita conhecer segredo industrial, mas tem direito de saber se o patrimônio de imagem do Corinthians foi usado com retorno proporcional.

A operação reforça a importância de integrar contratos de atletas e patrocinadores. Quando negociações são tratadas separadamente, o clube pode perder receita ou assumir obrigações conflitantes. Uma gestão profissional deve mapear direitos de imagem, categorias comerciais e limites de uso antes de assinar.

O que falta para a formalização

A assinatura de Osmar Stabile é a etapa imediata. Depois dela, o Corinthians deverá anunciar duração, propriedades entregues e valor fixo. Também será importante esclarecer como funciona a participação no Seguro A10 e se há metas capazes de elevar o total recebido.

Conselho Fiscal e Conselho de Orientação precisam ter acesso ao documento dentro de suas competências. O clube vive uma crise de endividamento e não pode tratar contratos de patrocínio apenas como notas promocionais. Receita, prazo de pagamento e risco de inadimplência devem ser acompanhados.

A renovação pode fortalecer a parceria, mas o mérito será medido pelo dinheiro efetivamente recebido. R$ 3 milhões formam o piso informado; o componente variável precisará provar que compensa a redução. Até que os resultados apareçam, a comparação com o acordo anterior permanece aberta.

Análise do Dale Coringão

O Corinthians acerta ao buscar participação em produtos que usam sua marca e seus atletas. O problema seria vender uma expectativa como se fosse receita certa. A diretoria deve divulgar o valor garantido, explicar a lógica do variável e criar controle para conferir as vendas. Transparência é ainda mais necessária quando o clube aceita menos dinheiro fixo.

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