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Futebol Masculino

Corinthians faz autocrítica sobre falta de pênaltis no Brasileirão

Clube não enxerga perseguição da CBF, mas reconhece que baixa eficiência ofensiva reflete no número de penalidades a favor

Jogador do Corinthians durante disputa de bola na área em partida na Neo Química Arena
Memphis se prepara para bater pênalti pelo Corinthians na Libertadores; já no Brasileirão, Alvinegro ainda não teve penais a favor Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

O dilema dos pênaltis no Brasileirão 2026

O Corinthians se vê diante de uma estatística singular na reta final do Campeonato Brasileiro de 2026. O clube é o único integrante da Série A que ainda não teve nenhuma penalidade máxima marcada a seu favor ao longo de toda a competição. Em contrapartida, a equipe já foi punida com quatro pênaltis contra, consolidando um desequilíbrio numérico que chama a atenção quando confrontado com os rivais. Enquanto o Timão segue em branco, Santos e São Paulo somam seis cobranças a favor cada, seguidos por Flamengo e Palmeiras, com três e duas, respectivamente.

Reclamações contra a arbitragem e o caso Fluminense

A frustração corinthiana atingiu um ponto crítico na derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na Neo Química Arena, em confronto que antecedeu a atual Data Fifa. O lance que gerou maior indignação ocorreu no fim do primeiro tempo, quando Kaio César foi derrubado na área após contato com Renê. Na ocasião, o árbitro Ramon Abatti Abel optou por seguir o jogo, decisão referendada pela equipe de VAR, que não recomendou a revisão da jogada.

Após o apito final, o técnico Fernando Diniz questionou publicamente a arbitragem. Fontes internas indicam que a análise do clube permanece alinhada ao posicionamento do treinador: o entendimento é de que houve um erro de interpretação e que a penalidade deveria ter sido assinalada, mantendo o incômodo com o critério adotado pelos juízes.

Análise técnica sobre o lance e padrões de arbitragem

O lance envolvendo Kaio César foi submetido à análise de ex-árbitros. Em depoimento ao UOL Esporte, Ana Paula Oliveira defendeu que o contato foi normal e que o atacante corinthiano 'valorizou a disputa', avaliando que a não interferência do VAR foi correta. Por outro lado, Guilherme Ceretta, embora concorde que nada deveria ser marcado, criticou a falta de critério da arbitragem brasileira. Segundo o ex-juiz, decisões divergentes em lances idênticos, como episódios envolvendo o jogador Arrascaeta, acabam por minar a confiança no padrão estabelecido pela entidade.

O caso do Corinthians guarda semelhanças com a trajetória do Juventude em 2024, que terminou o campeonato sem pênaltis a favor. Julio Rondinelli, ex-dirigente da equipe gaúcha, destacou que o clube chegou a buscar a Comissão de Arbitragem da CBF, à época sob o comando de Wilson Seneme, para exigir explicações sobre o desequilíbrio estatístico e a atuação oscilante do VAR.

Autocrítica e olhar para o futuro

Apesar da insatisfação com lances específicos, a diretoria do Corinthians rejeita qualquer teoria de perseguição orquestrada pela CBF. Internamente, o clube adota uma postura de autocrítica pragmática, reconhecendo que a ausência de penalidades é um reflexo direto do desempenho esportivo da equipe. A avaliação é de que o baixo volume ofensivo e a falta de eficiência no último terço do campo limitam as chances de criar situações que resultem em faltas dentro da área adversária.

Esse cenário é associado diretamente às limitações financeiras que impediram maiores investimentos na montagem do setor de ataque ao longo da temporada. Com o foco voltado para a reta final do Brasileirão, a comissão técnica intensifica trabalhos táticos no CT para corrigir a produção ofensiva, o que, consequentemente, poderá aumentar a exposição da equipe a situações de pênaltis a favor nos próximos jogos confirmados pelo calendário da CBF.

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