Janela fechada e elenco travado
O Corinthians encerrou a janela de transferências na última sexta-feira (11), às 19h, sem registrar qualquer reforço para o restante da temporada. A inércia alvinegra no mercado é consequência direta da manutenção de três transfer bans ativos, que impedem o clube de inscrever novos atletas no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF há 114 dias.
A impossibilidade de qualificar o elenco neste momento crítico da temporada, que inclui a disputa da Libertadores, coloca o departamento de futebol em uma situação delicada. A única movimentação oficial registrada pela diretoria no período foi a renovação contratual do atacante Memphis Depay, enquanto o clube vê atletas, como o atacante Wesley, escaparem para outras equipes por falta de regularização documental.
Tentativas frustradas no mercado
Apesar do impedimento administrativo, a gestão corinthiana buscou alternativas no mercado. Entre os alvos, o clube manteve conversas com o volante Arthur e o atacante Wesley. O caso de Arthur, que rescindiu com a Juventus, não avançou devido aos altos valores salariais solicitados pelo atleta, que acabou fechando com o Santos.
Já no caso de Wesley, o clube chegou a um acordo verbal com o atacante, mas o negócio não se concretizou. O jogador, que aguardava a liberação do registro pelo Timão, optou por assinar com o Cruzeiro ao perceber que a diretoria alvinegra não conseguiria derrubar as punições da Fifa e da CBF a tempo de oficializar a transferência.
O gargalo financeiro de R$ 21,5 milhões
O bloqueio que trava o Corinthians atualmente é composto por três pendências financeiras distintas. A primeira, vigente desde 21 de maio, refere-se a uma dívida de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 7,5 milhões) com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez em 2024.
Em 18 de julho, o clube foi alvo de uma segunda punição, desta vez aplicada pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF, por não honrar a quinta parcela de um acordo de parcelamento de dívidas, no valor de cerca de R$ 8 milhões. Poucos dias depois, em 21 de julho, o terceiro transfer ban foi imposto devido à inadimplência com o Midtjylland, da Dinamarca, na terceira parcela pela compra do volante Charles, totalizando 1 milhão de euros (cerca de R$ 6 milhões).
Ao todo, a diretoria precisaria desembolsar R$ 21,5 milhões apenas para sanar estas três punições e voltar a ter autonomia para registrar jogadores.
Perspectivas e planejamento
O cenário de incerteza quanto à regularização dos atletas reflete diretamente no planejamento esportivo. Atualmente, não há um prazo definido pela diretoria para a quitação total dos débitos que geraram os transfer bans. A expectativa interna é de que o clube retome as articulações financeiras apenas próximo ao encerramento do ano, visando preparar o elenco para a próxima janela de transferências.
Vale ressaltar que o Corinthians já lidou com uma situação semelhante nesta temporada. Anteriormente, o clube acumulava um quarto transfer ban decorrente de multas da Fifa, que foi superado após uma injeção de capital antecipada pela patrocinadora Fatal Fans, permitindo o pagamento de US$ 225 mil e a suspensão temporária da proibição naquela ocasião específica.


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