MP de São Paulo intensifica investigação sobre a administração do Corinthians
O Ministério Público de São Paulo avançou para a reta final do inquérito civil que apura a gestão do Sport Club Corinthians Paulista. Sob a responsabilidade dos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, a investigação, que teve início em meados de maio, caminha para um cenário em que a intervenção judicial no clube é tratada como a hipótese mais provável, com base nos indícios reunidos até agora.
A apuração ganhou reforço com a entrada de Silvio Antônio Marques, promotor experiente em casos de improbidade administrativa, na força-tarefa. O inquérito já conta com mais de dez depoimentos e um robusto volume de documentação, totalizando cerca de 3 mil páginas, conforme reportagem do portal ge publicada nesta quarta-feira (7).
Os três pilares que sustentam a apuração
A análise do Ministério Público não se limita a fatos isolados, mas se fundamenta em três eixos estruturais. O primeiro deles é a saúde financeira da agremiação, que lida com um endividamento na casa dos R$ 2,8 bilhões. O segundo ponto foca no funcionamento político e organizacional do clube, avaliando como os poderes internos operam.
O terceiro eixo compreende a verificação de atos e contratos que teriam causado prejuízos ao patrimônio do clube. Mais do que apontar falhas passadas, os promotores buscam concluir se a estrutura administrativa atual tem competência e autonomia para corrigir irregularidades, mitigar as dívidas e garantir que o Corinthians continue cumprindo sua finalidade social como associação.
Risco ao pleito eleitoral e a incerteza do TAC
A proximidade das eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo, agendadas para o dia 28 de novembro, coloca o clube em um momento de incerteza institucional. O atual presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, admitiu publicamente o risco de o pleito ser impedido ou alterado devido à possível intervenção judicial.
Embora tenha havido uma sugestão, por parte de Tuma Júnior, de que a atual gestão buscasse o Ministério Público para negociar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) — medida que poderia evitar a intervenção judicial caso o clube se comprometesse a sanar as falhas apontadas —, não houve, até o momento, contatos entre o presidente Osmar Stabile e os promotores para formalizar esse caminho.
Próximos passos e a decisão judicial
O Ministério Público não estabeleceu um prazo rígido para a conclusão definitiva do inquérito, mas a expectativa é que um desfecho ocorra antes das eleições de novembro. A equipe de promotores ainda aguarda o recebimento de novos documentos e a realização de depoimentos pendentes antes de formalizar qualquer ação.
É importante destacar que o Ministério Público, por si só, não decreta a intervenção. A medida depende do ajuizamento de uma ação civil pública, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário decidir pela procedência do pedido e definir qual seria a extensão da intervenção sobre os poderes do clube.


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