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Futebol Masculino

Entre o mata-mata e o ostracismo: o Corinthians no Brasileirão

Desde o título de 2017, o Timão transformou a instabilidade no campeonato de pontos corridos em rotina, sobrevivendo apenas através das copas.

Time do Corinthians em campo durante partida no Brasileirão.
Matheuzinho e Kaio Jorge disputam a bola em Corinthians x Cruzeiro, duelo da Copa do Brasil de 2025 Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O descompasso entre o desejo e a realidade

O Corinthians atravessa um momento de crise de identidade crônica no Campeonato Brasileiro. Após uma vitória expressiva fora de casa contra o Bragantino, a expectativa interna era de uma arrancada definitiva rumo à zona de classificação direta para a Libertadores. O clube vislumbrava uma sequência de três jogos na Neo Química Arena (Cruzeiro, Santos e Chapecoense) e apenas um compromisso fora (Coritiba) como a chance ideal para escalar a tabela. A realidade, porém, foi frustrante: o time não somou um ponto sequer nos três primeiros confrontos, estacionando na décima posição e vendo o G4 se distanciar.

O técnico Fernando Diniz, ao comentar o desempenho recente, admitiu o erro no planejamento de pontuação. Segundo o comandante, a equipe não tem jogado mal, mas carece do vigor necessário para transformar o volume de jogo em vitórias. Para Diniz, a comparação inevitável recai sobre a intensidade demonstrada em confrontos de mata-mata, como contra o Rosario Central. Na visão do treinador, o estado anímico apresentado naqueles duelos, marcado pela garra, é o fator determinante que falta atualmente no cotidiano dos pontos corridos.

Do protagonismo ao ostracismo na tabela

Os números compilados desde o último título brasileiro, conquistado em 2017, revelam um diagnóstico preocupante: o Corinthians deixou de ser protagonista no Brasileirão. Em oito anos, o clube nunca mais conseguiu figurar entre os três primeiros colocados. A melhor campanha no período foi um quarto lugar em 2022, enquanto a inconsistência se tornou marca registrada, com quatro aparições na parte de baixo da tabela — três vezes em 13º (2018, 2023 e 2025) e uma em 12º (2020).

O mata-mata como refúgio de sobrevivência

Enquanto o Brasileirão se tornou um cenário de instabilidade, o mata-mata consolidou-se como o único ambiente onde o clube ainda demonstra competitividade real. Desde 2018, o Corinthians chegou a oito semifinais, sendo cinco na Copa do Brasil — competição que resultou em três finais e um título — e três na Copa Sul-Americana. Esse padrão sugere que, mesmo sem os elencos recheados de estrelas da década passada, o clube ainda consegue mobilizar força anímica e técnica para triunfar em formatos de tiro curto, o que não ocorre na regularidade exigida pelos pontos corridos.

Próximos passos e a pressão pela Chape

Diante do cenário atual, o confronto contra a Chapecoense, neste domingo, ganhou contornos de decisão antecipada. A necessidade de pontuar tornou-se vital para evitar que a equipe perca o contato definitivo com o pelotão de cima da tabela. A meta da comissão técnica é clara: transpor para o Brasileiro a mentalidade de sobrevivência típica das copas. O sucesso nesta empreitada definirá se o Corinthians terá fôlego para encerrar o ano brigando por objetivos maiores ou se, mais uma vez, terá que se contentar com a posição de coadjuvante no campeonato mais importante do país.

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