Brabas criticam organização da Conmebol durante a Libertadores
Às vésperas da decisão da Libertadores Feminina, a dupla Vic Albuquerque e Belén Aquino, do Corinthians, utilizou o espaço da entrevista coletiva para tecer críticas contundentes à gestão da Conmebol. As atletas questionaram a estrutura da competição, que, segundo elas, não tem acompanhado a nítida evolução técnica do futebol feminino sul-americano, mantendo um formato de disputa desgastante e pouco profissional.
O principal ponto de insatisfação envolve o modelo do torneio, que reúne 16 equipes em um intervalo exíguo de duas semanas, forçando as finalistas a disputarem seis partidas com pouquíssimo tempo de recuperação. Para as jogadoras, essa falta de planejamento organizacional, somada à escolha da sede e à precariedade das estruturas oferecidas, prejudica o espetáculo e a integridade física das atletas.
Desgaste físico e limitações do elenco
A preocupação com a saúde física das Brabas não é apenas um discurso, mas uma realidade cotidiana que tem impactado o desempenho do grupo no Equador. Vic Albuquerque ressaltou que a sequência intensa de jogos torna impossível chegar aos confrontos decisivos com 100% da capacidade física, uma consequência direta de um calendário que, na visão das jogadoras, ignora as necessidades biológicas das atletas de alto rendimento.
O impacto desse cenário já foi sentido pelo elenco ao longo do torneio. O Corinthians enfrentou desfalques importantes, incluindo Juliete e Ana Vitória, além da baixa sentida por Jhonson, que precisou retornar ao Brasil para realizar um procedimento cirúrgico após sofrer uma lesão no ombro durante a competição. O desgaste físico, segundo a atacante, é agravado pelo acúmulo de carga na academia e pela falta de suporte estrutural adequado por parte da Conmebol.
Realidade financeira e a cobrança interna
Além dos desafios continentais, a instabilidade financeira do Corinthians continua a ser um tema latente dentro do vestiário feminino. Ao longo de 2026, as Brabas enfrentaram atrasos recorrentes no pagamento de salários e direitos de imagem. Em uma demonstração de descontentamento, o elenco chegou a realizar uma cobrança formal perante o presidente do clube, Osmar Stabile, no Parque São Jorge.
Mesmo com o recente pagamento realizado com 11 dias de atraso já durante o período da competição, a situação permanece como um foco de preocupação para as atletas. Vic Albuquerque pontuou que, embora o amor pelo clube e pela profissão prevaleça no momento de entrar em campo, a responsabilidade de gerir essas pendências recai sobre a diretoria, que precisa ser cobrada para que a rotina do elenco seja normalizada.
Foco na final contra o Cruzeiro
Apesar dos entraves logísticos impostos pela Conmebol e das dificuldades financeiras enfrentadas no clube, o elenco corinthiano mantém o foco total em seu principal objetivo: a conquista do heptacampeonato continental. A postura demonstrada pela dupla e pelo restante do grupo reforça que, apesar das críticas aos bastidores, a entrega nas quatro linhas continua sendo o pilar central das Brabas.
O próximo passo confirmado é o confronto final desta edição da Libertadores. O Corinthians entra em campo neste sábado, às 21h (horário de Brasília), no estádio Rodrigo Paz Delgado, no Equador, para enfrentar o Cruzeiro. A partida marcará o capítulo final de uma trajetória marcada tanto pelo sucesso esportivo quanto pela resiliência do elenco diante de obstáculos estruturais e administrativos.


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