Clima de alta tensão marca reunião entre diretoria e SAFiel
A cúpula diretiva do Corinthians e os representantes do movimento SAFiel protagonizaram um encontro de quatro horas no Parque São Jorge, na última quarta-feira (26). O clima, classificado como tenso, foi marcado por cobranças rigorosas da gestão alvinegra, que questionou a viabilidade técnica do projeto e a postura dos idealizadores. O objetivo central era debater os termos de um eventual Memorando de Intenções para a possível transição do clube para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Presenças e o atrito institucional
O encontro reuniu o alto escalão corintiano, incluindo o presidente Osmar Stabile, o vice Armando Mendonça, além dos presidentes dos conselhos Deliberativo, Romeu Tuma Júnior; de Orientação, Miguel Marques e Silva; e Fiscal, Haroldo Dantas. Pelo lado da SAFiel, marcaram presença os idealizadores Carlos Teixeira e Eduardo Salusse, acompanhados por integrantes do Comitê de Acompanhamento, como Marília Ruiz e o ex-presidente da torcida organizada Estopim da Fiel, Rogério 'Bambu' Maldonado.
A dinâmica da reunião sofreu um desgaste visível. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a abandonar o encontro antes do término, demonstrando insatisfação com o andamento das tratativas e o tom das discussões.
Exigências de provas e transparência nas denúncias
Um dos momentos de maior tensão envolveu declarações pretéritas de Carlos Teixeira sobre Maurício Chamati, também idealizador da SAFiel e dono do Mercado Bitcoin. Teixeira teria acusado o empresário de sofrer uma extorsão via pedido de propina antes de rescindir seu patrocínio com o Corinthians em 2023. A diretoria alvinegra exigiu, de forma firme, que Teixeira apresentasse provas concretas da acusação, sob a justificativa de que o clube precisa de fundamentos sólidos para tomar providências cabíveis e avaliar a idoneidade dos interlocutores no projeto.
Barreiras técnicas e estatutárias
Além das questões de conduta, a diretoria do Corinthians apresentou condições técnicas para o avanço das conversas. Foi exigido um aporte financeiro inicial para dar lastro a qualquer assinatura e a inclusão de, pelo menos, mais duas empresas ou instituições financeiras na capitalização do projeto. A medida, segundo a gestão, é necessária para garantir conformidade com as normas estatutárias do clube e evitar riscos jurídicos em uma operação de tal magnitude.
Natureza jurídica e próximos passos confirmados
A discussão sobre o Memorando de Intenções também revelou divergências interpretativas. Enquanto Eduardo Salusse, da SAFiel, defendeu que o documento seria 'não vinculante' em relação à decisão final de virar SAF — tratando-o apenas como um acordo para compartilhamento de dados e informações —, o vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, alertou que o termo traz obrigações jurídicas e administrativas que o clube precisa compreender antes de qualquer assinatura.
Como desfecho, a diretoria entregou um documento oficial com questionamentos compilados por Stabile, Tuma e Miguel Marques, com aditivos de Mendonça. A SAFiel comprometeu-se a apresentar respostas por escrito até a próxima semana. O teor dessas respostas será o divisor de águas para definir se o Corinthians dará prosseguimento às tratativas ou encerrará as discussões sobre o modelo proposto pelo grupo.


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