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Bastidores

Lula critica gestão do Corinthians e comenta possibilidade de intervenção

Presidente da República questiona números da dívida do clube com a Caixa e aponta má administração como raiz da crise financeira

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista, com contexto sobre Corinthians.
Meu Timão

Lula questiona gestão financeira e levanta debate sobre intervenção no Corinthians

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou publicamente preocupação com a situação financeira do Sport Club Corinthians Paulista neste domingo (23). Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, o mandatário criticou a gestão da dívida referente à Neo Química Arena e admitiu ser favorável a uma eventual intervenção judicial no clube, desde que comprovada a necessidade legal de tal medida para sanar as contas da instituição.

Os números da dívida sob a ótica do Palácio do Planalto

A principal preocupação do presidente reside na evolução da dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal. Segundo Lula, a conta apresentada pelo clube se tornou "interminável", dificultando a compreensão pública sobre o montante final. O presidente afirmou que o clube teria captado R$ 400 milhões para a construção de seu estádio, já teria quitado aproximadamente R$ 1,075 bilhão e, paradoxalmente, ainda reportaria um débito na casa dos R$ 600 milhões.

Para o presidente, esses números são um indicativo claro de má administração. O cenário exposto pelo mandatário serve como um alerta para a diretoria alvinegra, que enfrenta pressão crescente dos órgãos de controle e dos torcedores para detalhar a origem e os critérios de correção desses valores junto ao banco estatal.

Possível intervenção e paralelo com programa de refinanciamento

Sobre a possibilidade de intervenção judicial, Lula foi incisivo ao declarar que não se opõe a medidas interventoras caso as irregularidades sejam devidamente provadas. O mandatário destacou que o Corinthians possui a responsabilidade social de esclarecer onde residem os erros contábeis e por que a dívida não diminui mesmo diante dos aportes já realizados.

Como alternativa para mitigar o colapso financeiro não apenas do Timão, mas de outros clubes brasileiros, Lula revelou que sugeriu à Caixa a criação de um modelo similar ao programa 'Desenrola', lançado pelo governo federal em 2023. A proposta visa oferecer mecanismos de refinanciamento para entidades esportivas que, segundo o presidente, encontram-se atualmente em estado de insolvência.

Críticas a patrocínios de bets e custo da folha salarial

Além da gestão do passivo, Lula criticou a estratégia de arrecadação do futebol brasileiro. O presidente questionou o modelo de negócios que permite a entrada de patrocínios de empresas de apostas (bets) e sites de conteúdo adulto, classificando a situação como imprópria para um ambiente que deveria ser voltado às famílias e crianças.

Outro ponto central da crítica foi a folha de pagamento do elenco. De acordo com o presidente, os salários praticados por clubes como o Corinthians estão desconectados da realidade econômica brasileira. O posicionamento de Lula reforça a pressão sobre a gestão alvinegra, exigindo maior austeridade e transparência comercial em um momento em que a equipe busca reestruturação financeira e técnica na temporada.

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