Justiça mantém promotor no comando do Caso Nike
A Justiça de São Paulo negou o pedido da defesa de Armando Mendonça, segundo vice-presidente do Corinthians, para afastar o promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), da ação penal que investiga o desaparecimento de materiais esportivos da Nike. A decisão, assinada pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda, foi publicada no último dia 26 de agosto.
A defesa do dirigente buscava a anulação da denúncia, alegando falta de imparcialidade por parte de Conserino. No entanto, a magistrada entendeu que os argumentos apresentados, como a condição de torcedor do promotor e sua participação em debates sobre a possível transformação do Corinthians em SAF, não configuram suspeição perante o Código de Processo Penal e o Código de Processo Civil.
Entenda a estratégia da defesa e a decisão judicial
Os advogados de Armando Mendonça argumentaram que Conserino teria ultrapassado limites institucionais ao comentar publicamente pautas políticas do clube e manter alinhamento com correntes internas. Entre os pontos citados pela defesa, estava a presença do promotor em um evento do projeto SAFiel. Contudo, a juíza Amanda Eiko Sato destacou que não foram identificados elementos que comprovassem qualquer interesse pessoal, amizade íntima ou intenção do promotor em obter vantagens patrimoniais ou políticas com o desfecho do processo.
A decisão reforça que a atuação de Conserino, inclusive em temas sensíveis como a possibilidade de intervenção judicial no clube, insere-se nas atribuições de seu cargo. A magistrada também pontuou que, caso existam irregularidades formais na condução da investigação, estas devem ser tratadas por meio dos instrumentos processuais adequados, e não justificam, por si só, o afastamento do membro do MP.
O panorama das acusações contra o dirigente
Armando Mendonça tornou-se réu no dia 23 de junho e enfrenta acusações graves, que incluem apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo. A investigação aponta para o desaparecimento de 131 itens do clube, a subtração de oito camisas e a tentativa de apropriação de 19 camisas especiais da NFL, além da intimidação de funcionários responsáveis pela auditoria interna que descobriu as irregularidades.
Embora tenha aceitado a denúncia, o Judiciário negou os pedidos do Ministério Público para afastar o dirigente de suas funções associativas ou proibi-lo de frequentar as dependências do Corinthians e ter contato com outros membros da diretoria. Armando Mendonça, por sua vez, nega categoricamente todas as acusações feitas pelo órgão ministerial.
Impacto e próximos passos
A manutenção de Cássio Roberto Conserino na condução do caso é um desdobramento fundamental para os bastidores do Corinthians, visto que a tentativa de afastamento era uma manobra central da defesa para tentar enfraquecer o processo penal. Com o indeferimento da exceção de suspeição, a ação segue seu curso regular dentro da esfera criminal.
Para a instituição, o caso continua a refletir o cenário de tensão política no Parque São Jorge. A magistrada determinou ainda que fosse corrigido um erro de serventia que levou à exposição indevida de uma fotografia de um familiar do promotor nos autos, atendendo a um pedido de preservação de privacidade. Agora, o processo seguirá com o trâmite jurídico padrão, aguardando os próximos atos processuais na 25ª Vara Criminal.


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