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Cultura Alvinegra

Poropopó: o grito da Fiel que nasceu no Pacaembu e virou símbolo

Mais que uma música, a expressão que une arquibancada e jogadores na Neo Química Arena tem origem documentada em 1987 e sobreviveu ao tempo.

Torcida do Corinthians na Neo Química Arena cantando e celebrando.
1 de 1 Jogadores do Corinthians fazem "poropopó" com os torcedores na arena — Foto: Marcos Ribolli

O hino não oficial: a origem do Poropopó

O "Poropopó" tornou-se muito mais do que um simples grito de guerra nas arquibancadas; ele é hoje o símbolo máximo de identificação da Fiel Torcida. Recentemente, a trajetória dessa expressão que embala o Corinthians ganhou destaque, evidenciando como um canto nascido na década de 80 conseguiu atravessar gerações e se consolidar como uma marca registrada da identidade corinthiana ao redor do mundo.

De acordo com levantamento do portal ge, publicado nesta quarta-feira (24), historiadores do clube confirmam que a primeira manifestação documentada ocorreu em 1987. Durante um confronto válido pelo Campeonato Paulista, no icônico Pacaembu, a torcida alvinegra deu início a uma tradição que, décadas depois, transformaria a atmosfera de qualquer estádio onde o Timão atue.

Do Pacaembu à Neo Química Arena

A evolução do canto acompanhou as mudanças estruturais do clube. O grito sobreviveu às transições entre o Pacaembu e o Morumbi, mas foi na Neo Química Arena que o "Poropopó" atingiu seu ápice de importância. A acústica do estádio alvinegro e a proximidade da torcida com o gramado potencializaram a energia da música, tornando-a um recurso tático e emocional fundamental em momentos de pressão.

Fernando Wanner, historiador oficial do Corinthians, reforça que a autoria é inegavelmente da torcida corinthiana. Esse legado, construído ao longo de décadas, transformou o ritmo em uma linguagem universal de esperança e sintonia, servindo como uma espécie de termômetro para a relação entre os atletas e os mais de 40 milhões de torcedores espalhados pelo país.

Resiliência e o reencontro pós-pandemia

A importância do "Poropopó" tornou-se ainda mais evidente no período pós-pandemia de Covid-19. Após meses de estádios vazios e silêncio imposto pelas restrições sanitárias, o retorno do público à Neo Química Arena marcou uma retomada necessária de conexão. O grito, mais do que uma tradição, passou a ser o símbolo da saudade acumulada e da força da Fiel em empurrar o time.

O lateral-direito Matheuzinho destacou essa conexão especial ao relembrar a temporada de 2024. O atleta pontuou que, após sete meses de arquibancadas vazias, a sequência de nove vitórias avassaladoras no Campeonato Brasileiro foi impulsionada diretamente pela união transmitida pelo canto. Para o elenco, o grito representa o momento exato em que a sintonia entre a equipe e o torcedor se torna imbatível.

O futuro do grito alvinegro

Atualmente, o "Poropopó" segue como a trilha sonora obrigatória em todos os jogos como mandante. A relevância desse canto ultrapassa o aspecto cultural e entra na gestão de elenco: ao entender a importância da conexão emocional com a torcida, o Corinthians reafirma a necessidade de manter o estádio como um caldeirão para superar as dificuldades do calendário competitivo.

Com o histórico validado e a tradição consolidada, a expectativa é que o canto continue a ser a principal ferramenta de mobilização nos próximos compromissos da temporada. Enquanto a equipe luta para melhorar sua performance no Brasileirão, o "Poropopó" se mantém como a prova concreta de que, no Corinthians, a força das arquibancadas é um ativo que não se desvaloriza com o tempo.

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