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Bastidores

MP-SP questiona Corinthians sobre rescisão com OneFan e vê risco de gestão temerária

Promotoria investiga possível quebra contratual que pode gerar multa milionária ao clube e afetar operação da Neo Química Arena

Fachada da Neo Química Arena em dia de jogo do Corinthians
Atualmente, todo o sistema de compra de ingressos do Corinthians é operado pela OneFanRodrigo Coca / Agência Corinthians

MP-SP investiga possível rescisão com OneFan e aponta gestão temerária no Corinthians

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deu um passo importante na fiscalização das movimentações internas do Corinthians ao cobrar esclarecimentos formais sobre a possível rescisão do contrato com a OneFan. A empresa atualmente centraliza a operação do Fiel Torcedor, o aplicativo Universo SCCP e a bilheteria da Neo Química Arena, sendo peça chave na rotina da Fiel.

O promotor Cassio Roberto Conserino, que conduz o caso, aponta indícios de que o processo pode configurar gestão temerária, conforme estabelecido pelo artigo 67 da Lei Geral do Esporte. A investigação foi impulsionada por negociações avançadas entre a atual diretoria alvinegra e a Fever, plataforma global de tecnologia e entretenimento, que estaria sendo cotada para assumir o lugar da atual parceira no fornecimento de serviços tecnológicos e de acesso ao estádio.

Riscos financeiros e a multa milionária em pauta

A preocupação das autoridades reside no impacto financeiro que uma ruptura contratual unilateral poderia causar ao clube, que já enfrenta um endividamento próximo aos R$ 3 bilhões. A OneFan notificou o Corinthians extrajudicialmente no fim de outubro, argumentando que possui exclusividade no vínculo até 2032 e alegando que o clube mantém valores substanciais em aberto por serviços prestados recentemente.

Segundo estimativas, a multa pela rescisão antecipada, somada a cláusulas de lucros cessantes e luvas, poderia atingir o montante de R$ 30 milhões. O Ministério Público entende que, diante do cenário delicado de fluxo de caixa do Timão, a insistência em uma troca de fornecedores sem justificativa robusta poderia representar um risco desproporcional ao patrimônio da instituição esportiva.

Segurança operacional e direitos da Fiel

Além das finanças, o MP-SP demonstrou profunda preocupação com a continuidade dos serviços essenciais ao torcedor corinthiano. Em sua manifestação, o promotor destacou que uma transição abrupta da estrutura tecnológica poderia comprometer diretamente a segurança e a fluidez das operações na Neo Química Arena, afetando o sistema de reconhecimento facial e o acesso aos jogos.

O documento aponta que tal movimentação poderia ferir dispositivos do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A possibilidade de instabilidade nas plataformas digitais e dificuldades na aquisição de ingressos motivou o envio de cópias do processo à Promotoria de Justiça do Consumidor, buscando assegurar que a torcida não seja prejudicada por decisões administrativas de bastidores.

Prazos e os próximos passos da investigação

O Corinthians, através do presidente Osmar Stabile, e o Conselho Deliberativo do clube possuem um prazo improrrogável de cinco dias para responder aos questionamentos do Ministério Público. As autoridades exigem informações detalhadas sobre as negociações com a Fever e a motivação técnica para o rompimento com a OneFan, além de esclarecer se houve, de fato, a solicitação de adiantamentos financeiros milionários antes da ameaça de rescisão.

A investigação agora entra em uma fase de coleta de provas documentais. O material foi encaminhado também à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social para aprofundar a apuração sobre possíveis desvios de finalidade. Enquanto aguarda as explicações dos dirigentes, o clube segue em uma transição de gestão, com as eleições presidenciais marcadas para o próximo dia 28 de novembro.

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