Ceticismo sobre status de ídolo de Memphis
A eliminação do Corinthians na Libertadores, ocorrida após a derrota para o Estudiantes na Neo Química Arena, desencadeou um debate intenso sobre o desempenho e a relevância de Memphis Depay no clube. Para o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande, a tentativa de alçar o atacante ao status de ídolo é infundada e carece de lastro histórico. Em entrevista ao UOL Esporte nesta quarta-feira (17), Casagrande foi enfático: 'O Memphis não é ídolo do Corinthians. Quem fala isso está viajando. Quem falar isso tem que pegar a história do Corinthians e dar uma lida'.
Desempenho técnico em xeque
O descontentamento da torcida e de analistas se sustenta na baixa produtividade do jogador em 2026. O atacante soma apenas um gol marcado e dois pênaltis desperdiçados com a camisa alvinegra, números considerados insuficientes para a expectativa criada em torno de sua contratação. Casagrande destacou, inclusive, a postura do jogador no momento da cobrança decisiva, ressaltando que, pelo investimento e salário, esperava-se um protagonismo que não se traduziu em campo.
A percepção de falta de identificação foi endossada pelo jornalista Julio Gomes, que analisou a cobrança de pênalti perdida pelo holandês. 'A impressão que eu tive é que o Memphis não ia perder o pênalti porque ele não estava nem aí. Essa é a impressão que eu tenho. Ele não sabe o que é o Corinthians', declarou, reforçando a distância entre o comportamento do atleta e a entrega exigida pela história do clube.
Críticas à 'idolatria fabricada' e ao vácuo de liderança
O debate se estendeu à construção da imagem de Memphis no clube, classificada por Arnaldo Ribeiro como um 'vínculo artificial'. O jornalista argumenta que a contratação e a subsequente idolatria de parte da torcida ocuparam um vácuo de liderança, mas sem alicerce na realidade do que o Corinthians representa. Ribeiro ainda traçou um paralelo com o técnico Fernando Diniz, afirmando que ambos teriam se apoderado do espaço sem uma identificação real com a instituição.
Para sustentar o argumento do que seria um ídolo legítimo, Casagrande citou figuras que atravessaram gerações pelo clube, como Zé Maria, Sócrates, Rivellino e Wladimir. Segundo o comentarista, a entrega física e a identificação visceral são marcas registradas que, na visão dele, não são observadas no atual elenco, que conta com um ambiente cada vez mais hostil após a queda na competição continental.
Clima de instabilidade nos bastidores
A pressão sobre o elenco atingiu o Parque São Jorge, onde muros foram pichados com mensagens pedindo a saída de Memphis após a eliminação. O momento é de incerteza, com analistas projetando dificuldades para a continuidade tanto do atleta quanto do técnico Fernando Diniz no projeto esportivo para o restante da temporada.
A falta de resultados, aliada à ausência de respostas técnicas em momentos decisivos, mantém a relação entre o atacante e a torcida corinthiana em um estado de tensão extrema, com o clube agora obrigado a buscar alternativas para contornar o vazio técnico e emocional que sucedeu o fim do sonho da Libertadores.


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