Base do Corinthians enxuga estrutura e corta 60% dos custos
A base do Corinthians encerrou uma das fases mais drásticas de sua reestruturação administrativa recente. Sob o comando de Erasmo Damiani, que assumiu a direção do departamento em outubro de 2025, o clube alcançou uma redução de 60% nos custos totais da categoria. O impacto financeiro engloba desde a folha salarial e bolsas-auxílio até as despesas indiretas, como logística, alimentação, transporte, plano de saúde, lavanderia e suplementação de jovens atletas.
O cenário encontrado pelo executivo foi definido como uma "segunda pandemia", exclusiva do Corinthians. A crise foi agravada por um período de inatividade competitiva relevante, causado pelo afastamento do clube do Movimento de Clubes Formadores, o que colocou o Timão em desvantagem técnica perante rivais que mantiveram o calendário esportivo e o ritmo de formação intactos.
Diagnóstico de inchaço e ineficiência
O levantamento inicial de Damiani, conduzido nas primeiras semanas de sua gestão, apontou para um departamento com excesso de pessoal e sobreposição de funções. O inchaço era notável nos elencos: algumas categorias acumulavam até 60 atletas, número considerado desproporcional para as necessidades reais do clube. Além do ajuste no tamanho dos grupos, a reorganização resultou no desligamento de cerca de 13% do quadro de funcionários, eliminando cargos duplicados.
A decisão por cortes não foi arbitrária. Segundo Damiani, a permanência de jogadores passou a ser avaliada de forma multidisciplinar. As decisões agora envolvem comissões técnicas, psicologia, nutrição e o setor de captação, focando em entender o potencial de evolução real de cada jovem em vez de manter grandes contingentes sem viabilidade de aproveitamento.
Resultados em campo desafiam o período de crise
Apesar do cenário de reestruturação profunda, o Corinthians apresentou sinais de recuperação esportiva. No Campeonato Brasileiro Sub-17, por exemplo, a meta estabelecida pela gestão era modesta: classificar entre os oito primeiros colocados da primeira fase. O time, contudo, superou o objetivo e finalizou a etapa na segunda posição, demonstrando a eficiência do novo modelo de trabalho implementado pelas comissões.
O desafio de recuperar o tempo perdido durante o hiato sem competições continua sendo uma preocupação central para o clube. Para o executivo, o prejuízo no desenvolvimento dos atletas que ficaram um ano e meio sem confrontos de alto nível ainda é sentido, mas a metodologia atual busca acelerar essa curva de aprendizado através de uma integração mais coesa entre os departamentos de suporte.
O fim dos cortes e o foco no futuro
Com a etapa mais severa de ajustes superada, o Corinthians muda a chave para a próxima temporada. Damiani confirmou que não haverá novos cortes de grande impacto, e que a estratégia de gestão será pautada pela manutenção dos atletas remanescentes e pela qualificação técnica dos elencos. Eventuais mudanças de agora em diante serão pontuais, atendendo estritamente às necessidades de cada categoria.
Os próximos passos confirmados pela direção incluem a ampliação do trabalho de captação e o foco total no desenvolvimento esportivo dos jovens. A fase de contenção de despesas, necessária para a saúde financeira do departamento, dá lugar a um planejamento de maturação, visando elevar o nível competitivo das categorias de base corintianas nos torneios nacionais.


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