O peso de suceder uma era vitoriosa
O técnico Lucas Piccinato, que liderou o Corinthians Feminino por dois anos, abriu os bastidores de sua trajetória à frente do clube em entrevista à N Sports. O treinador, que deixou o cargo no início de 2026 antes da chegada de Emily Lima, detalhou as incertezas enfrentadas ao assumir o comando técnico logo após a saída de Arthur Elias, profissional que consolidou um período de hegemonia absoluta no futebol feminino alvinegro.
Piccinato confessou que a pressão de suceder um trabalho vitorioso gerou dúvidas reais sobre os riscos para sua carreira. No entanto, o treinador reforçou que a força do elenco e a infraestrutura do Corinthians foram os pilares que sustentaram sua decisão. Segundo ele, o medo de críticas não poderia se sobrepor à oportunidade de gerir um grupo experiente e acostumado a conquistar títulos de elite.
O desafio de gerir um vestiário de alto nível
Um dos pontos nevrálgicos revelados pelo técnico foi o processo de integração com o elenco. Piccinato admitiu que a recepção inicial das jogadoras foi marcada por uma desconfiança natural, um cenário que, segundo ele, qualquer treinador brasileiro enfrentaria ao assumir o posto de Arthur Elias. O desafio, portanto, não era apenas tático, mas de liderança humana.
Para o ex-comandante, a maior dificuldade enfrentada no dia a dia foi convencer trinta atletas de elite a acreditarem em uma nova metodologia de trabalho. Embora tenha destacado que o processo foi gradual e bem-sucedido em diversos momentos de sua gestão, Piccinato reconheceu que a manutenção dessa unidade total no vestiário foi o maior desafio de seu ciclo à frente das Brabas.
Adaptação tática e o sonho do título mundial
A passagem de Piccinato também ficou marcada pela disputa do Mundial de Clubes, realizado na Inglaterra. O treinador destacou que a equipe precisou romper com a sua identidade tradicional de domínio e posse de bola para conseguir competir contra adversários internacionais. Essa flexibilidade tática foi essencial para que o Corinthians chegasse muito próximo de conquistar o título inédito diante do Arsenal, sendo superado apenas nos detalhes da grande final.
O técnico classificou a participação no torneio como uma das experiências mais marcantes de sua trajetória profissional. Para Piccinato, o fato de ter vivenciado o futebol feminino de clubes no mais alto nível mundial é algo que ele levará para a vida, mesmo lamentando o desfecho do vice-campeonato na competição que se tornará recorrente no calendário da Fifa.
Legado, números e o futuro das Brabas
Lucas Piccinato deixou o Parque São Jorge com um retrospecto expressivo, acumulando 71 vitórias, 20 empates e apenas dez derrotas em dois anos de trabalho, alcançando um aproveitamento de 76,9%. Sob seu comando, o clube balançou as redes 240 vezes e conquistou cinco títulos importantes, incluindo os Campeonatos Brasileiros de 2024 e 2025, a Supercopa de 2024 e o bicampeonato da Libertadores.
Com a saída de Piccinato após o empate diante do Fluminense, o Corinthians segue o seu planejamento sob nova gestão, focando na continuidade das competições de alto rendimento. O ex-treinador, por sua vez, projeta o retorno à disputa de títulos, incluindo o Campeonato Paulista, que foi uma das poucas taças que não conseguiu levantar durante sua produtiva passagem pelo comando das Brabas.


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