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Bastidores

Corinthians atinge 100 dias sob transfer ban e sem previsão de pagamento

Clube acumula três proibições ativas de registro de atletas por dívidas que somam R$ 21,5 milhões; prioridade financeira é quitar salários atrasados.

Logo do Sport Club Corinthians Paulista com fundo desfocado em tons escuros
1 de 1 Osmar Stabile, presidente do Corinthians — Foto: Gilson Lobo/AGIF

Cenário crítico: 100 dias sob proibição

O Sport Club Corinthians Paulista completou, neste sábado (29), a marca negativa de 100 dias sob regime de transfer ban. O clube segue impossibilitado de registrar novos atletas em seus quadros profissionais devido a três pendências financeiras distintas que, somadas, totalizam R$ 21,5 milhões em débitos acumulados.

A atual diretoria financeira do Timão declarou que a prioridade máxima no momento é a regularização de salários e direitos de imagem atrasados, tanto do elenco masculino quanto do feminino. Adicionalmente, premiações de campeonatos ainda não foram pagas aos atletas, o que torna inviável, segundo o clube, a quitação dos R$ 21,5 milhões até o encerramento da janela de transferências, marcado para o próximo dia 11 de setembro.

A origem das sanções financeiras

A espiral de punições teve início em 21 de maio, motivada por uma dívida de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 7,5 milhões) com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, referente à aquisição do volante José Martínez em 2024.

Em 18 de julho, o Corinthians foi alvo de uma segunda sanção, desta vez imposta pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF, com duração de seis meses. O bloqueio ocorreu pelo não pagamento da quinta parcela de um acordo de parcelamento, no valor de R$ 8 milhões. Pouco depois, em 21 de julho, uma terceira punição, oriunda da Fifa, consolidou o cenário de crise devido à inadimplência na terceira parcela da compra do volante Charles junto ao Midtjylland, da Dinamarca, custando 1 milhão de euros (cerca de R$ 6 milhões).

Impactos no planejamento e renovações

O bloqueio de registros tem forçado o departamento de futebol a limitar suas ações de mercado apenas às renovações de vínculos vigentes, prática que não é afetada pela punição da entidade máxima do futebol. Exemplo disso foi a recente renovação do atacante Memphis Depay, que pôde ser formalizada mesmo diante das restrições administrativas.

Atualmente, a gestão analisa o futuro de dez atletas cujos contratos encerram-se em dezembro de 2026: Allan, André Carrillo, André Ramalho, Fabrizio Angileri, Hugo, Jesse Lingard, Kaio César, Matheus Pereira, Vitinho e Zakaria Labyad. A decisão sobre quais jogadores receberão propostas de extensão de contrato passa pela avaliação do impacto financeiro que essas renovações trarão ao caixa do clube.

Precedentes e medidas de contenção

É importante ressaltar que a atual situação poderia ser ainda mais severa. O Corinthians chegou a enfrentar um quarto transfer ban decorrente de uma multa de US$ 225 mil (R$ 1,15 milhão) imposta pela Fifa por descumprimento de obrigações em três negociações. Esta proibição específica foi revertida após o clube obter um aporte financeiro antecipado da patrocinadora Fatal Fans.

No entanto, para os R$ 21,5 milhões pendentes, não há, até o momento, previsão de novos aportes ou quitação, mantendo o clube em uma situação de bloqueio técnico contínuo enquanto busca equilibrar suas contas internas com as receitas disponíveis.

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