O sonho do Mundial e a despedida do ídolo
Leandro Castán, pilar defensivo na histórica conquista da Libertadores de 2012, revelou em entrevista exclusiva ao portal Meu Timão o desejo que guardava de ter disputado o Mundial de Clubes com a camisa alvinegra. O zagueiro, que deixou o Corinthians semanas antes da viagem ao Japão para integrar o elenco do Chelsea na decisão, confessa que o sentimento de ausência foi marcante no momento da final.
Apesar da frustração esportiva, o jogador tratou o episódio com serenidade. Com 111 partidas disputadas e um aproveitamento de 60,06% pelo clube, Castán afirmou que, ao olhar para trás, enxerga o movimento de sua carreira sob uma perspectiva de fé e proteção, sendo um dos nomes mais lembrados pela torcida pela segurança que transmitiu na campanha continental.
Destino traçado: a transferência que salvou uma vida
A saída de Castán foi selada em uma negociação de aproximadamente 5,5 milhões de euros (cerca de R$ 13,7 milhões na época), concretizada durante o mata-mata da Libertadores. O que inicialmente era visto apenas como o auge profissional de um atleta aos 25 anos, transformou-se em um divisor de águas pessoal dois anos depois, quando o jogador foi diagnosticado com um tumor no cérebro.
O ex-zagueiro ressalta que a mudança para a capital italiana foi providencial. 'O médico especialista na minha doença era de Roma. Na verdade, eu achava que estava indo para jogar futebol em Roma, mas estava indo para Deus cuidar da minha saúde', revelou o atleta, reforçando que o tratamento avançado na Itália foi o que permitiu sua plena recuperação após o diagnóstico que, inicialmente, indicava o fim prematuro de sua trajetória nos gramados.
A mentalidade que quebrou o trauma continental
Castán detalhou como a pressão sofrida pelo Corinthians nas edições anteriores da Libertadores, marcada por traumas como a eliminação diante do Tolima em 2011, moldou o comportamento do grupo. O zagueiro relembrou que a mentalidade vencedora foi forjada no dia a dia do CT Joaquim Grava, alimentada pela convicção pessoal de que aquele elenco quebraria o estigma da competição.
O defensor recordou que, mesmo com sondagens de clubes europeus desde as oitavas de final, seu compromisso com a conquista do título era inabalável. 'Eu sempre falava: cara, eu vou ser campeão desse negócio. Eu quero ser campeão desse negócio', relembrou, destacando que sua entrega total ao clube naquela temporada visava justamente deixar seu nome marcado na história antes da despedida.
De Ronaldo Fenômeno a Totti: um currículo de gigantes
Ao refletir sobre sua adaptação ao futebol europeu, Castán minimizou o impacto de dividir vestiário com grandes estrelas internacionais, creditando sua maturidade ao período em que atuou ao lado de Ronaldo Fenômeno no Corinthians. Segundo o ex-atleta, a convivência com o Fenômeno normalizou o convívio com ídolos mundiais.
Na Roma, o brasileiro teve o privilégio de atuar ao lado de nomes históricos como Francesco Totti e Daniele De Rossi. Ele destacou a humildade do capitão romano em acolher os estrangeiros, o que foi determinante para seu sucesso imediato no futebol italiano. Após sua passagem pela Roma, Castán ainda defendeu clubes como Sampdoria, Torino e Cagliari antes de retornar ao Brasil para encerrar sua carreira em 2022.


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