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Bastidores

Corinthians impõe freio e exige transparência total à SAFiel

Clube condiciona avanço de projeto de SAF a explicações detalhadas sobre viabilidade financeira e integridade jurídica

Reunião de dirigentes no Parque São Jorge para análise de projetos.
Carlos Teixeira e Eduardo Salusse, líderes da SAFiel Imagem: Fábio Lázaro/UOL

Ceticismo no Parque São Jorge

O futuro do futebol corinthiano passa por um crivo rigoroso. Em reunião realizada no Parque São Jorge na última quarta-feira (26), a cúpula do Corinthians, representada pelos presidentes Osmar Stabile (Diretoria), Romeu Tuma Júnior (Conselho Deliberativo) e Miguel Marques e Silva (Cori), impôs uma série de condições para qualquer avanço nas tratativas com o projeto 'SAFiel'.

O tom da reunião, que durou cerca de quatro horas, foi de cautela. O clube deixou claro que a análise da proposta está travada até que dúvidas cruciais sobre a estrutura do modelo de captação de R$ 2,5 bilhões — com potencial para R$ 3 bilhões — sejam esclarecidas. Não há, até o momento, nem recusa, nem aceitação.

Dúvidas técnicas e jurídicas

O Compliance alvinegro questiona a metodologia utilizada pela 'Invasão Fiel S/A'. O Corinthians exige provas de como a empresa compatibilizou dados de institutos distintos (como Datafolha, IBGE e Serasa) e pede evidências de operações de capitalização pulverizada que tenham atingido a ambiciosa meta de 5% de conversão da base de torcedores.

Além da viabilidade, o clube mira o histórico da proponente. Com um capital social de apenas R$ 3 mil e fundada em julho de 2025, a empresa gerou alertas sobre sua capacidade de gerir uma operação de tal magnitude. A gestão solicita ainda esclarecimentos sobre a cláusula nove da proposta, que impõe obrigações financeiras imediatas ao clube, mesmo em um documento classificado como 'não vinculante'.

O papel de Maurício Chamati e o sigilo

A integridade das informações é outro ponto de atrito. O Corinthians cobra explicações sobre o papel de Maurício Chamati, sócio da SAFiel e ex-membro do Comitê de Finanças na gestão de Augusto Melo. Como Chamati assinou um termo de confidencialidade em 2024 — com multa de R$ 500 mil em caso de violação —, o clube quer saber se dados internos foram usados na formulação da proposta atual.

O Compliance também solicitou manifestações sobre pendências associadas a Chamati, incluindo um procedimento por estelionato e sua participação societária no Mercado Bitcoin, além de supostos vínculos com o financiamento de campanhas políticas anteriores no clube. O Corinthians ressalta que tais pontos são diligências e não sentenças de culpa.

Próximos passos

O compromisso firmado após a reunião é claro: a SAFiel precisa responder a todos os questionamentos antes de qualquer debate sobre a assinatura de um memorando de intenções. A diretoria segue com a auditoria interna dos dados do 'Book SAFiel 2.0', mantendo a cautela como prioridade absoluta para proteger os interesses estatutários da instituição.

Análise do Dale Coringão

A postura da atual gestão é um divisor de águas na gestão de projetos externos. Ao exigir transparência técnica e jurídica, o Corinthians evita se expor a riscos financeiros e garante que qualquer mudança no departamento de futebol seja sustentada por premissas de mercado reais, e não por expectativas otimistas sem base documental.

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