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Base do Corinthians

Ciência e base: como o Corinthians transformou o CT em laboratório

Núcleo de Inovação Tecnológica padroniza desenvolvimento de atletas e reduz drasticamente índice de lesões nas categorias inferiores.

Profissionais do Núcleo de Inovação do Corinthians monitorando treinos da base com tablets e GPS.
1 de 3 Arthur Plácido, Walmir Cruz e Michael de Paula são os responsáveis pelo desenvolvimento de conhecimento científico no Corinthians — Foto: Yago Rudá

Tecnologia como pilar da formação

O Corinthians transformou a rotina de suas categorias de base em um laboratório de alta performance. Por meio do recém-criado Núcleo de Inovação Tecnológica em Ciências do Esporte, o clube passou a utilizar coleta de dados e artigos científicos para moldar o desenvolvimento dos atletas, do sub-13 ao sub-20. O projeto, que atua no Parque São Jorge e no CT da base, visa integrar preparação física, nutrição, fisiologia e odontologia em uma metodologia unificada.

A iniciativa é conduzida por Walmir Cruz, coordenador de performance; Arthur Plácido, coordenador de treinamento de força; e Michael de Paula, fisiologista das categorias de base. O objetivo central é criar uma linha de desenvolvimento contínua, na qual o atleta é monitorado desde o início de sua trajetória até a chegada ao profissional, com um histórico de dados detalhado que orienta todo o processo de formação.

Monitoramento e protagonismo do atleta

O processo de formação mudou a forma como o clube lida com o cotidiano dos jovens. Segundo o fisiologista Michael de Paula, o atleta, que muitas vezes chega ao clube como uma 'folha em branco', é agora educado para entender as ferramentas que utiliza. Os jogadores manuseiam tablets, respondem questionários psicofisiológicos diários e acompanham as próprias métricas de rendimento.

Essa rotina, que inclui o uso diário de GPS nos treinamentos e avaliações periódicas de força, permite que a comissão técnica crie trabalhos individualizados. A estratégia visa aumentar características específicas, como força e agilidade, conforme a necessidade individual de cada pupilo, promovendo maior conscientização sobre a importância de cada etapa do treinamento.

Redução drástica de lesões

O impacto da blindagem científica já é sentido nos números do departamento médico. Após registrar apenas cinco lesões musculares na temporada anterior, o Corinthians atingiu resultados ainda melhores no último ano. Entre as categorias do sub-14 ao sub-20, o clube contabilizou apenas uma lesão de posterior de coxa e um estiramento de adutor.

Walmir Cruz destaca que, diante de indicadores tão positivos, as comissões técnicas passaram a confiar integralmente nos dados. Embora as comissões mantenham a autonomia sobre os treinos táticos, o uso das informações científicas para dosar a intensidade das atividades tornou-se o padrão, reduzindo drasticamente o risco de lesões e otimizando o rendimento em campo.

O Corinthians como gerador de conhecimento

Além da formação esportiva, o Corinthians busca se posicionar como referência global em pesquisa científica aplicada ao futebol. O Núcleo de Inovação já submeteu seis artigos a revistas internacionais de alto impacto, com outros dez em fase de produção. Um dos estudos, focado na força isométrica, identificou variações marcantes de força a cada dois anos, entre as faixas etárias do sub-15 ao sub-20.

Arthur Plácido explica que a iniciativa é fundamental, pois grande parte da literatura científica atual no esporte é produzida com atletas amadores ou de nível moderado. Ao publicar dados colhidos diretamente com atletas de elite, o Corinthians se coloca em um patamar diferenciado, servindo como modelo para que outros clubes ao redor do mundo possam aplicar métodos semelhantes de monitoramento.

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