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Bastidores

Comissão de Ética do Corinthians aguarda defesa escrita de Osmar Stabile

Presidente não compareceu a depoimento sobre contratações de segurança; advogados terão cinco dias para apresentar justificativas por escrito ao órgão.

Presidente Osmar Stabile durante evento oficial no Corinthians.
Osmar Stabile não compareceu ao depoimento agendado para a última terça-feiraRodrigo Coca / Agência Corinthians

Ausência no depoimento e prazos da defesa

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, não compareceu ao depoimento agendado para a última terça-feira (20), junto à Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo. A oitiva, que já havia sido remarcada após uma primeira tentativa no dia 13 de outubro, visava esclarecer detalhes sobre a contratação de empresas de segurança durante a atual gestão do clube.

A ausência do mandatário foi justificada por seus advogados, que comunicaram ao presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, a intenção de apresentar as explicações exclusivamente por escrito. Com essa mudança de estratégia, a defesa de Stabile possui agora um prazo de cinco dias para formalizar os esclarecimentos aos questionamentos formulados pela Comissão de Ética.

Investigações sobre as empresas contratadas

O foco do procedimento interno do Conselho Deliberativo recai sobre a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda. e da Bear Security. As suspeitas de irregularidades ganharam força após investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apontam, entre outros problemas, a falta de autorização das companhias junto à Polícia Federal para atuar com segurança privada e a ausência de contratos formais em determinados períodos.

Em paralelo ao rito da Comissão de Ética, o órgão tem colhido depoimentos para instruir o processo. O então diretor administrativo, Fábio Soares, participou da oitiva com justificativas por escrito. Já Fernando José da Silva, responsável pela Mega Assessoria, respondeu presencialmente aos questionamentos. O departamento de compliance do clube também foi acionado para fornecer eventuais avaliações de integridade sobre as empresas envolvidas.

O desdobramento jurídico e o impacto no Parque São Jorge

A importância desta atualização para o Corinthians reside no possível desfecho do parecer da Comissão de Ética. O colegiado utilizará a documentação enviada pela defesa de Stabile, somada aos depoimentos anteriores, para finalizar um relatório que poderá culminar em sanções administrativas ou até mesmo na recomendação de um processo de impeachment, dependendo da gravidade das condutas apuradas.

A situação de Osmar Stabile é agravada pela denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo à Justiça por suposta apropriação indébita. O MP-SP aponta que o clube teria desembolsado R$ 721,1 mil para a Bear Security em serviços que, segundo a promotoria, teriam beneficiado o presidente e seus familiares. O Ministério Público chegou a solicitar o afastamento do dirigente e o bloqueio de seus bens, medidas que aguardam deliberação judicial.

Posicionamento do clube e próximos passos

O Corinthians mantém a tese de que a contratação das empresas seguiu os trâmites internos exigidos e foi motivada pela necessidade de proteção da integridade física de Stabile e de seus familiares, especialmente em um período de alta instabilidade política após o impeachment de Augusto Melo. O clube afirma que os valores pagos estavam alinhados ao mercado e que está à disposição para colaborar com as investigações.

Com o prazo de cinco dias concedido aos advogados, a Comissão de Ética aguarda a manifestação formal para encerrar a fase de instrução e deliberar sobre o parecer final. Osmar Stabile seguirá no comando do clube até o fim de 2026, mas não comporá as chapas para o triênio 2027-2029, conforme as definições políticas atuais do clube.

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