Dale CoringãoPróximos jogos
Abrir menu
Bastidores

Vice aponta Stabile como responsável por manter pasta em extinção

Armando Mendonça afirma que Departamento de Integração deveria ter sido encerrado em 2026 por corte de custos, mas permaneceu por decisão do presidente.

Fachada da sede social do Corinthians no Parque São Jorge.
Meu Timão

Divergência no Parque São Jorge: O impasse do Departamento de Integração

A estrutura administrativa do Corinthians enfrenta um momento de tensão interna, marcado por um desencontro de diretrizes entre a cúpula do clube. O Departamento de Integração, criado em março de 2024 para aproximar as categorias de base do Chute Inicial e do Cifac, tornou-se o epicentro de uma disputa sobre o enxugamento da máquina pública alvinegra. Embora o planejamento financeiro para 2026 estabelecesse a extinção da pasta, o setor permanece ativo, gerando questionamentos sobre a gestão de custos e o cumprimento de metas fiscais.

O vice-presidente do clube, Armando Mendonça, trouxe o conflito a público nesta quarta-feira, ao atribuir a manutenção do departamento a uma decisão direta do presidente Osmar Stabile. A revelação expõe as dificuldades da gestão em executar cortes estratégicos que foram previamente validados pelos órgãos de controle do Timão.

Processo de extinção ignorado

Segundo Mendonça, a decisão de encerrar o Departamento de Integração não foi um ato isolado, mas o resultado de um processo rigoroso de projeção orçamentária. O plano foi construído pelo Departamento Financeiro em conjunto com o Grupo de Reestruturação Financeira, passando pelo crivo do Conselho Fiscal, do Conselho de Orientação (Cori) e do Conselho Deliberativo ainda no início deste ano.

Com a aprovação consolidada, o vice-presidente afirmou ter solicitado, formalmente, ao gerente do Departamento de Esportes Terrestres que providenciasse o encerramento das atividades e as dispensas dos colaboradores. Apesar da clareza da diretriz, o processo travou nos bastidores, culminando na revelação feita por Mendonça de que a ordem para manter o setor partiu de Osmar Stabile, contrariando o plano de ajuste financeiro anteriormente aprovado.

Impacto financeiro e entraves operacionais

A manutenção do departamento traz preocupações imediatas ao clube devido ao custo operacional. A pasta demanda um investimento anual de aproximadamente R$ 930 mil, concentrado integralmente em salários, sem apresentar qualquer retorno em receitas para o Corinthians. A tentativa de extinguir a área visava compor um pacote de cortes estimado em cerca de R$ 2 milhões anuais.

O caminho para o fechamento enfrentou, além da decisão presidencial, problemas jurídicos. O coordenador administrativo da pasta, Gustavo Lott, possui estabilidade provisória por ser membro da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio), o que gerou um alerta por parte do departamento jurídico e complicou a realocação ou demissão dos funcionários. Enquanto o clube tentava contornar esse obstáculo, a ordem de extinção acabou sendo revertida pela presidência.

Versões sobre a falta de verba

Após o impasse, a gestão buscou explicar a situação técnica da pasta. Oficialmente, o clube e o coordenador do departamento, Fredy Marcelo, classificaram a ausência de recursos para o setor no orçamento como um 'erro'. Essa justificativa, no entanto, é frontalmente contestada por Marco Polo, ex-diretor de Esportes Terrestres.

Marco Polo sustenta que a retirada da verba foi uma determinação estratégica do Grupo de Reestruturação Financeira para cumprir metas de austeridade, e não uma falha ou esquecimento administrativo. Ele enfatiza que a definição final sobre o destino do setor foi levada diretamente à mesa da presidência, reforçando que a continuidade da estrutura ocorreu por escolha política, independentemente das projeções orçamentárias estabelecidas anteriormente.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a participar.