MP investiga acordo da Arena com base em ata do Conselho
O Ministério Público de São Paulo avançou nas investigações sobre a dívida da Neo Química Arena ao incorporar aos autos uma ata crucial do Conselho Deliberativo do Corinthians. O documento, datado de junho de 2022, registra as dúvidas e questionamentos dos conselheiros sobre o acordo firmado entre o clube e a Caixa Econômica Federal na época, servindo agora como peça central para apurar possíveis divergências nos valores do passivo alvinegro.
A apuração, sob responsabilidade do promotor Cassio Roberto Conserino, ganhou tração após o recebimento de uma perícia técnica assinada por Anísio Costa Castelo Branco. O estudo aponta inconsistências nos critérios financeiros adotados pelo banco e questiona a evolução do débito que, em 2019, foi alvo de uma ação judicial no valor de R$ 536 milhões.
Divergências sobre critérios e índices financeiros
A ata do Conselho Deliberativo revela que o debate sobre o acordo de 2022 foi intenso. Conselheiros buscaram entender a origem da dívida e os encargos do financiamento, manifestando receio sobre a metodologia da Caixa. Rozallah Santoro, então conselheiro e posteriormente diretor financeiro, foi um dos nomes que alertou para o risco de a mudança nos índices de correção inflar o saldo devedor futuramente. Em defesa da proposta, o então diretor financeiro Roberto Gavioli apresentou os argumentos que sustentaram a aprovação do modelo.
A perícia técnica anexada ao processo do MP corrobora parte das preocupações levantadas na reunião. O relatório de Anísio Costa Castelo Branco aponta falta de clareza na documentação sobre como a dívida evoluiu até o patamar cobrado pela Caixa. O perito ainda questiona a aplicação de multas e reitera a necessidade de apresentar os documentos que comprovem a progressão dos encargos do financiamento.
O impacto nos números do clube
A questão central para o Corinthians reside na discrepância entre os cálculos apresentados pelo clube e os apontamentos da perícia externa. Enquanto o Timão trabalha com uma estimativa de que o saldo devedor possa ser reduzido para uma faixa entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões, o estudo de Anísio sugere que as variações nos cálculos, se confirmadas, poderiam representar uma diferença de cerca de R$ 460 milhões.
O perito ressalta, no entanto, que não se pode afirmar que o estádio esteja quitado, pois o cenário depende da validação de bases de dados distintas. O Corinthians baseia seus números em contratos e renegociações posteriores a 2022, enquanto a perícia se ampara em documentos públicos disponíveis até 2019, o que explica a divergência significativa nas projeções de ambos os lados.
Próximos passos e tentativa de conciliação interna
Diante da gravidade da investigação, a diretoria alvinegra adotou uma postura de buscar transparência. Na última quarta-feira (2), o presidente Osmar Stabile recebeu o perito Anísio Costa Castelo Branco no Parque São Jorge para um encontro oficial.
Como medida concreta para esclarecer os valores, o Corinthians convidou o especialista para integrar uma comissão interna de revisão da dívida da Arena. A meta do clube é confrontar as informações institucionais com as análises do perito para chegar, finalmente, a um entendimento sobre o passivo real do estádio diante do Ministério Público.


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