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Bastidores

Justiça condena Corinthians a indenizar ex-atleta da base

Clube evita pagamento milionário pleiteado por Reginaldo Borim, mas é sentenciado a indenização por declarações de ex-dirigente.

Fachada da sede do Sport Club Corinthians Paulista.
1 de 1 Reginaldo Borim ao ser contratado para defender o time sub-18 do Corinthians — Foto: Reprodução

Justiça nega indenização milionária, mas condena Corinthians por danos morais

O Corinthians obteve uma vitória parcial significativa na Justiça do Trabalho em um processo movido por Reginaldo Borim, atleta hoje com 19 anos. O jogador, que buscava uma indenização de R$ 10 milhões por uma suposta quebra de contrato firmada em 2024, durante a gestão de Augusto Melo, teve a maior parte de seus pedidos negados pela juíza Fernanda Cavalcante Fon Soares.

A sentença de primeira instância concluiu que não houve a assinatura do contrato entre as partes. Segundo o entendimento judicial, a presença do jovem no alojamento e nos treinamentos do clube fazia parte de um período de testes, o que invalidou as solicitações de vínculo empregatício, verbas rescisórias e multas contratuais pleiteadas pela defesa do atleta.

O peso das declarações do ex-diretor

Apesar de ter evitado o pagamento milionário, o clube foi sentenciado a pagar R$ 40 mil por danos morais. A condenação fundamentou-se na postura do ex-diretor das categorias de base, Claudinei Alves, durante a polêmica que resultou na desistência da contratação do jogador.

Na época, o dirigente admitiu ao portal ge que, embora o atleta tivesse boa avaliação técnica para a posição de lateral-esquerdo, seria descartado por sofrer pressões internas no Conselho Deliberativo. A juíza classificou a conduta como um sacrifício público da dignidade do adolescente, então com 17 anos, destacando que o clube priorizou o alívio de pressões políticas em detrimento do respeito ao jovem.

Impacto para o Corinthians e contexto atual

O episódio exemplifica um cenário complexo enfrentado pelo Corinthians nos bastidores: o clube tem lidado com uma enxurrada de ações judiciais decorrentes de gestões passadas e irregularidades em diversos departamentos, incluindo as categorias de base e os eSports. O caso Borim reforça a necessidade de maior rigor administrativo em contratos esportivos para evitar futuras exposições e ônus financeiros.

Atualmente, a instituição enfrenta um período delicado, marcado pela tentativa de reverter uma das piores campanhas de sua história no Campeonato Brasileiro. A sobrecarga de processos judiciais impõe um desafio contínuo ao departamento jurídico e à atual gestão, que busca equilibrar o saneamento das contas com o desempenho das equipes.

Próximos passos do processo

Questionado a respeito da sentença, o Corinthians limitou-se a informar, por meio de sua assessoria, que não se manifestará sobre o conteúdo da decisão judicial. Como a sentença é de primeira instância, o processo ainda segue em trâmite na Justiça do Trabalho.

Por se tratar de um caso em curso, ambas as partes ainda possuem margem para recursos, o que mantém a disputa jurídica em aberto. O clube não deu detalhes sobre se pretende recorrer especificamente da condenação por danos morais, mantendo sua política atual de discrição diante de litígios envolvendo ex-atletas das categorias de formação.

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