Corinthians condenado em série de ações trabalhistas de eSports
O Sport Club Corinthians Paulista enfrenta um desafio jurídico de R$ 2,8 milhões decorrente de sua antiga divisão de esportes eletrônicos. Levantamento nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) identificou 30 ações movidas por ex-colaboradores contra a instituição e a empresa CDS, que foi responsável pela gestão da modalidade entre julho de 2022 e setembro de 2023. O clube, embora tenha terceirizado a operação, é alvo de condenações subsidiárias pelo não pagamento de salários e direitos trabalhistas básicos aos atletas e profissionais da área.
Responsabilidade subsidiária e o uso da marca
O entendimento consolidado pela Justiça do Trabalho é que o Corinthians responde pelas dívidas por ter se beneficiado da prestação de serviços vinculada à sua marca e estrutura. Em decisão de 2ª instância, a desembargadora Jane Granzoto Torres da Silva pontuou que o clube assumiu o risco ao contratar uma empresa sem a devida idoneidade financeira para honrar seus compromissos.
O advogado Helio Tadeu Brogna Coelho, que representa diversos ex-funcionários, explica que a justiça tem reconhecido o vínculo indireto. Como a CDS não possui ativos para arcar com as execuções, o judiciário redireciona a cobrança para o clube, que, por sua vez, deve arcar com os custos não quitados pela ex-parceira.
Cenário dos processos e impacto acumulado
Das 30 ações mapeadas, 13 já possuem decisões judiciais, sendo que o Corinthians foi condenado em dez delas. Os pedidos incluem reconhecimento de vínculo empregatício, salários atrasados e indenizações por danos morais. Embora os valores individuais sejam considerados baixos frente ao orçamento do futebol de elite, o efeito acumulado gera preocupação.
Um dos casos mais expressivos envolve uma ex-coordenadora da divisão, cuja causa chega a R$ 460 mil. Em outros exemplos, como o de uma ex-jogadora, o clube precisou arcar com cerca de R$ 42,9 mil após a empresa gestora falhar em um acordo de parcelamento, demonstrando a recorrência do problema na execução provisória.
Posicionamento e próximos passos
Em nota oficial, o Corinthians classificou como grave a associação de sua marca aos erros administrativos da CDS. O clube confirmou que rescindiu o contrato de licenciamento em setembro de 2023, motivado justamente pelo não cumprimento de obrigações trabalhistas e problemas de gestão.
O próximo passo do Corinthians é buscar o ressarcimento. A diretoria informou que já realizou uma cobrança formal contra a CDS, no valor de R$ 439,7 mil, e reforçou que as condenações judiciais atuais não eliminam o direito do clube de exigir a reparação integral pelos prejuízos causados pela empresa gestora aos cofres alvinegros.


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