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Bastidores

Pré-candidato aponta empréstimos de alto custo na gestão Stabile

Sérgio Janikian critica uso de juros elevados e antecipação de receitas para fluxo de caixa na atual administração do Corinthians.

Logotipo e dependências do Sport Club Corinthians Paulista.
Sérgio Janikian foi diretor de futebol do Corinthians em 2015Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Alerta sobre a política financeira de Osmar Stabile

A saúde financeira do Corinthians ganhou contornos de preocupação extrema após declarações de Sérgio Janikian, conselheiro e pré-candidato à presidência do clube. Em entrevista ao portal Meu Timão, Janikian revelou que a atual diretoria, liderada por Osmar Stabile, tem recorrido a empréstimos com juros elevados e antecipação de receitas futuras para sanar problemas imediatos de fluxo de caixa, como a folha salarial.

O pré-candidato afirmou ter conversado diretamente com o presidente sobre as operações. Segundo o relato, Stabile admitiu dificuldades em conseguir crédito junto a bancos de primeira linha, o que forçou o clube a buscar recursos em condições onerosas. Entre as operações mencionadas, destaca-se um empréstimo com taxa de CDI mais 18% e o adiantamento de receitas do patrocinador máster, a Esportes da Sorte, via fundos financeiros.

Impacto e riscos da estratégia de curto prazo

Janikian criticou a sustentabilidade do modelo adotado. Ao confrontar as taxas praticadas, como o CDI mais 10% ou 18%, com contratos de renegociação mais estáveis, como o da Caixa (CDI mais 2%), o pré-candidato alertou para o perigo da bola de neve financeira. Ele questionou a lógica de sacrificar receitas futuras para cobrir despesas de curto prazo, citando como exemplo o empréstimo de 8,5 milhões de dólares (cerca de R$ 44 milhões) contraído recentemente para o pagamento da dívida relativa à aquisição do meia Rodrigo Garro.

Para o conselheiro, embora as operações não violem o estatuto do clube, a prática é classificada como imoral por comprometer a viabilidade operacional futura do Corinthians. Ele argumenta que o modelo associativo não é o culpado pelos entraves atuais, mas sim as decisões administrativas, apontando que a folha de pagamento atual supera patamares de gestões anteriores.

Proposta de gestão e visão sobre o passivo

Sobre a estrutura do passivo, que gira em torno de R$ 3 bilhões, Janikian propõe uma mudança de perspectiva: tratar esses valores como 'compromissos' financeiros de médio e longo prazo, e não apenas como dívidas vencidas imediatas. Ele defende que, ao equilibrar as despesas para que fiquem próximas às receitas correntes, o clube poderia alcançar um cenário de estabilidade sem recorrer sistematicamente a novos empréstimos.

O pré-candidato também descartou a hipótese de realizar empréstimos próprios ao clube caso seja eleito, citando um claro conflito de interesses ao atuar, simultaneamente, como credor e gestor. Janikian enfatizou que pretende utilizar sua credibilidade no mercado empresarial para buscar alternativas de financiamento mais baratas, focando primeiramente na otimização da gestão e na redução rigorosa de despesas.

Próximos passos e o cenário eleitoral

Diante da crise de credibilidade que, segundo o pré-candidato, isola o Corinthians de novos patrocinadores e parceiros comerciais, Janikian não descarta medidas drásticas. Embora considere a recuperação judicial um 'remédio amargo', ele pontua que a decisão sobre qual caminho seguir dependerá de uma auditoria minuciosa da situação real que encontrar caso assuma a presidência.

A definição definitiva sobre a trajetória financeira da instituição permanece aguardada para o período pós-eleitoral. Com o pleito marcado para o dia 28 de novembro de 2026, o debate sobre a sustentabilidade do clube e a condução da atual diretoria deve seguir como o principal ponto de embate entre as correntes políticas alvinegras.

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