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Finanças

Cuiabá cobra dívida e pede bloqueio de receitas do Corinthians na CNRD

Clube não honrou prazo de pagamento prometido na Câmara Nacional de Resolução de Disputas; credor solicita retenção de valores da CBF.

Sede social do Corinthians no Parque São Jorge.
1 de 2 Parque São Jorge, sede social do Corinthians — Foto: José Edgar de Matos

Cuiabá cobra dívida e pede bloqueio de receitas do Corinthians na CNRD

O Sport Club Corinthians Paulista enfrenta um novo capítulo crítico em sua gestão financeira. Após protocolar uma promessa de pagamento de parcelas atrasadas junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) em 16 de junho, o clube falhou em cumprir o compromisso no prazo estabelecido, levando o Cuiabá, principal credor, a solicitar medidas drásticas nesta terça-feira, 1º de setembro.

Diante do inadimplemento, o clube do Centro-Oeste peticionou à entidade a manutenção do 'transfer ban', a aplicação de novas multas e o bloqueio imediato, com repasse direto, de todas as receitas e premiações que o Timão venha a receber da CBF. A situação agrava a instabilidade do clube, que já opera sob proibição de registrar novos atletas por seis meses.

Origem do débito e quebra de confiança

A dívida, avaliada em pouco mais de R$ 17 milhões, tem como base principal a contratação do volante Raniele, concretizada em janeiro de 2024. O montante total acumulado no processo também engloba valores pendentes referentes às negociações do atacante Jonathan Cafu e do técnico António Pereira.

Em documento enviado à CNRD, o Cuiabá manifestou indignação com a postura da diretoria alvinegra: 'O Corinthians assumiu compromisso processual específico, com data certa, depois de já ter deixado de cumprir o cronograma homologado. A sequência de fatos revela conduta incompatível com a confiança excepcional que sustenta um plano coletivo'.

Crise financeira e ausência de prazo

A situação financeira do Corinthians é alarmante. Em resposta aos questionamentos da reportagem do ge, a diretoria admitiu a ausência de recursos para honrar o plano de pagamento atual e informou que não possui um cronograma para sanar a pendência. O clube fechou o primeiro semestre de 2026 com um déficit acumulado de R$ 246 milhões.

O cenário é ainda mais complexo devido a outros compromissos financeiros. O Timão ainda deve direitos de imagem ao elenco, tanto masculino quanto feminino, além de premiações pactuadas com os atletas, em um momento onde o clube esperava levantar recursos com vendas de jogadores, o que não ocorreu até o momento.

Próximos passos no plano coletivo

O plano original, homologado em abril de 2025 na CNRD, previa o pagamento total de R$ 76 milhões, divididos em parcelas trimestrais ao longo de seis anos. Segundo a regra estabelecida, 80% de cada parcela paga é destinada ao credor principal, enquanto os 20% restantes cobrem honorários advocatícios.

Com a quebra do acordo e a recusa do Corinthians em efetuar o pagamento prometido em junho, o futuro imediato do clube depende da decisão da CNRD sobre o pedido de bloqueio das receitas. Sem a entrada de novos recursos financeiros via janela de transferências, o Timão segue pressionado por credores, empresários e atletas enquanto busca soluções para a grave crise de liquidez.

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