Justiça anula afastamento de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho
A Justiça de São Paulo proferiu uma sentença definitiva que anula a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Corinthians, ocorrida em 23 de março de 2026, que havia deliberado pelo afastamento de Romeu Tuma Júnior do cargo de presidente do órgão. O juiz Antonio Manssur Filho, da 2ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, julgou a ação integralmente procedente, confirmando a tutela provisória que já havia restabelecido Tuma na função em julho deste ano.
Com a decisão, todos os atos daquela assembleia foram declarados nulos, incluindo a ata da sessão e a Averbação nº 509.221, registro cartorial que formalizava o afastamento do dirigente. A sentença garante o retorno definitivo de Tuma, encerrando um dos capítulos mais conturbados da política alvinegra recente.
Falhas procedimentais e violação estatutária
O magistrado acolheu os argumentos da defesa de Tuma, que apontavam graves falhas procedimentais na condução do processo. Ficou comprovado que a convocação realizada pelo então presidente da diretoria executiva, Osmar Stabile, não cumpriu o protocolo estatutário, que exige que solicitações do Executivo sejam encaminhadas previamente à mesa do Conselho Deliberativo.
Além da irregularidade na convocação, a sentença destacou a ausência de um processo disciplinar prévio e a inexistência de previsão no Estatuto do Corinthians para o afastamento cautelar do presidente do CD. O juiz também considerou indevida a mudança de comando da reunião, realizada após confusões durante a votação, visto que a condução por membros não previstos pelo regimento desrespeitou as normas internas do clube.
Origem da crise e desdobramentos políticos
O impasse administrativo teve início em meio à discussão sobre o anteprojeto de reforma do Estatuto do Corinthians. Após uma reunião tensa em 9 de março, que terminou em desordem, o presidente Osmar Stabile convocou o Conselho em 18 de março, sob a justificativa de supostas ameaças, assédio e interferência nos trabalhos da diretoria executiva por parte de Tuma.
Na votação do dia 23, 115 conselheiros votaram pelo afastamento, resultando na posse temporária do vice-presidente Leonardo Pantaleão. Contudo, Tuma seguiu no cargo até decidir por um licenciamento voluntário em abril. Em junho, após a Justiça negar a validação da ata da reunião em cartório, o dirigente anunciou seu retorno às atividades, o que agora é ratificado pela sentença definitiva do Poder Judiciário.
Impacto na governança do clube
A pacificação jurídica é um passo fundamental para a estabilidade do Conselho Deliberativo. Ao anular os atos da reunião de março, a Justiça não apenas valida o mandato de Tuma, mas impõe um rigoroso controle sobre a observância dos ritos estatutários em futuros processos disciplinares ou deliberativos no Corinthians.
Para o clube, a decisão encerra a incerteza jurídica que pairava sobre a chefia do órgão fiscalizador. Com a questão resolvida, o Conselho Deliberativo retoma sua composição e legalidade plena, permitindo que as atenções voltem-se para as pautas estatutárias e institucionais que seguem pendentes no cenário político alvinegro.


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