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Finanças

MP-SP investiga possíveis erros em cálculos da dívida da Arena

Ministério Público apura denúncia sobre cobranças indevidas da Caixa; perito aponta que financiamento poderia estar quitado

Fachada da Neo Química Arena durante jogo do Corinthians
Meu Timão

MP-SP abre procedimento para investigar dívida da Neo Química Arena

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um procedimento administrativo na última terça-feira para apurar a integridade dos cálculos da dívida que o Corinthians mantém com a Caixa Econômica Federal pela construção da Neo Química Arena. A investigação, conduzida pelo promotor Cássio Conserino, busca esclarecer se o banco aplicou encargos indevidos sobre o saldo devedor do clube ao longo dos anos.

A medida foi tomada após uma denúncia formalizada pelo perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa. O profissional apresentou um dossiê com base em documentos públicos, alegando a existência de inconsistências graves na metodologia de atualização do financiamento, o que teria onerado os cofres do Timão além do previsto em contrato.

Inconsistências matemáticas e suspeita de quitação

O ponto nevrálgico da denúncia aponta para a ausência de padrões na aplicação de juros sobre parcelas em atraso. De acordo com a análise do perito, foram identificadas taxas que variariam entre 19% e 450% ao mês. Para Castelo Branco, tais variações não encontram justificativa técnica, indicando um erro crasso nos cálculos realizados pela instituição financeira.

O promotor Cássio Conserino reforçou a gravidade da suspeita, citando que a Caixa pode ter cobrado um valor excedente de aproximadamente R$ 280 milhões. Com a devida atualização monetária projetada para agosto de 2026, esse montante chegaria à cifra de R$ 455 milhões. Conserino foi enfático ao declarar que, caso a perícia seja confirmada, o estádio corinthiano poderia, matematicamente, já ter tido sua dívida integralmente quitada por conta de um erro ocorrido em 2019.

Histórico do financiamento e impacto na gestão

A construção da Neo Química Arena foi viabilizada em 2013, com um crédito inicial de R$ 400 milhões. Após seguidas renegociações, o débito passou por uma reestruturação profunda em 2022, na gestão de Duílio Monteiro Alves, alcançando cerca de R$ 700 milhões. O modelo atual vincula o pagamento à taxa Selic acrescida de 2% ao ano, com amortizações iniciadas em 2025.

A notícia ganha relevância diante do esforço financeiro da torcida. Entre novembro de 2024 e o mesmo mês de 2025, a Fiel arrecadou cerca de R$ 41 milhões em uma campanha dedicada exclusivamente à redução dessa dívida. A possível existência de um equívoco milionário nos cálculos da Caixa coloca em dúvida a necessidade de tais pagamentos e levanta questionamentos sobre a transparência do processo.

Próximos passos da investigação

A fase atual do procedimento do MP-SP concentra-se na verificação técnica dos documentos. O objetivo é analisar os contratos e as movimentações financeiras para validar as alegações do perito e determinar o real saldo devedor. Procurada pela reportagem da TV Record, a Caixa Econômica Federal limitou-se a informar que não comenta operações de crédito específicas devido ao sigilo bancário. Até o momento, o Sport Club Corinthians Paulista não se manifestou sobre o início das apurações.

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