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Política

Venda do Parque São Jorge: o que há de real na proposta de Lula

A ideia de vender a sede social para quitar a dívida da Arena ganha debate, mas esbarra em entraves contratuais, políticos e na própria viabilidade jurídica do clube.

Fachada principal do Parque São Jorge, sede social do Sport Club Corinthians Paulista.
Parque São Jorge, sede social do Corinthians Imagem: Fábio Lázaro/IUOL

O dilema entre o Parque São Jorge e a dívida da Arena

A possibilidade de vender o Parque São Jorge para amortizar o débito de R$ 630 milhões junto à Caixa Econômica Federal pela Neo Química Arena voltou ao centro das discussões corintianas. A ideia ganhou força após uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em 16 de setembro, durante o podcast 'Desce a Letra', sugeriu que a presidência da Caixa aproximasse o clube do setor imobiliário para discutir essa operação como uma forma de quitar o compromisso financeiro.

Apesar da repercussão, o cenário atual indica que a sugestão teve caráter informal, sem representar uma diretriz oficial ou pressão do Palácio do Planalto sobre a instituição financeira. Oficialmente, a Caixa informou que não comenta operações bancárias específicas devido ao sigilo previsto na Lei Complementar nº 105/2001, mantendo o foco em buscar soluções negociadas para seus contratos de forma discreta.

Avaliação imobiliária e a complexidade da operação

Atualmente, o complexo do Parque São Jorge possui uma avaliação conjunta de R$ 602,2 milhões, montante fixado em fevereiro em um acordo firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Esse cálculo compreende as quatro matrículas que formam a sede social no Tatuapé, servindo como referência contábil, mas não necessariamente como o valor de mercado final em uma transação imobiliária real.

Especialistas, como o CEO da Think Construtora, Marcelo Nudelman, ponderam que o valor pode variar significativamente dependendo do potencial construtivo e do zoneamento. A escolha do modelo de venda também é um desafio: a venda direta traria liquidez rápida, enquanto a permuta física poderia render mais ao longo do tempo, mas deixaria o clube sem o recurso imediato necessário para abater as dívidas da Arena.

O obstáculo jurídico do acordo tributário

Um fator determinante para qualquer negociação é que o Parque São Jorge atua como garantia em um acordo de transação tributária com a Fazenda Nacional. O Corinthians, contudo, enfrenta dificuldades e deixou de pagar as últimas quatro parcelas desse compromisso, totalizando um passivo vencido de R$ 27,3 milhões, valor que engloba débitos previdenciários e não previdenciários.

Embora o atraso confira à Fazenda Nacional o direito de rescindir o acordo e executar a garantia do imóvel, a PGFN confirmou que a transação permanece regular e vigente. Esse passivo tributário trava qualquer movimentação sobre o patrimônio, exigindo que o clube renegocie dívidas antes mesmo de cogitar qualquer operação de venda da sua sede social.

Cenário futuro e próximos passos

Diante dos fatos, a venda do Parque São Jorge permanece apenas no campo das ideias, sem qualquer estudo técnico, proposta formal ou aprovação política e estatutária. Para que o debate avance, o clube precisaria, primeiro, sanar a inadimplência com a Fazenda Nacional para liberar a garantia sobre o terreno e, na sequência, estruturar um projeto imobiliário que fosse aprovado pelos sócios.

Até o momento, a instituição financeira mantém a postura de buscar soluções contratuais padrão, sem transformar a situação em uma disputa política. Portanto, a diretoria do Corinthians não possui, no curto prazo, um plano de desfazimento da sede, com qualquer movimento dependendo de uma complexa articulação entre a viabilidade imobiliária e a regularização das contas tributárias.

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