Cenário e desafios financeiros do Corinthians
O pré-candidato à presidência do Corinthians, Rozallah Santoro, apresentou diretrizes para o enfrentamento da crise financeira do clube em entrevista recente à Rádio Bandeirantes. O economista, que possui histórico como ex-diretor financeiro do Timão, destacou que o passivo atual, estimado em R$ 3 bilhões, representa um desafio estrutural complexo, equivalente a um período entre 12 e 15 anos de toda a geração de caixa do clube.
Santoro foi enfático ao declarar que não existe uma solução mágica para a quitação total dos débitos em apenas três anos. No entanto, o pré-candidato sustenta que é possível colocar a instituição nos trilhos através de um plano rigoroso de redução de despesas, baseando-se em um estudo da Ernst & Young de 2024 que aponta um potencial de economia anual entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões, otimizando custos operacionais, administrativos e de pessoal.
Estratégias de reperfilamento e ativos
Para reduzir a relação entre dívida e capacidade de pagamento, o plano de Santoro articula três pilares centrais: o corte de custos imediatos, o reperfilamento da dívida e a exploração inteligente de ativos. A renegociação de compromissos existentes visa alongar os prazos de pagamento, utilizando eventuais recursos disponibilizados pelo BNDES como alavanca financeira para esse processo.
O economista também propõe a criação de modelos de concessão, similares a parcerias público-privadas, para patrimônios do clube. O projeto engloba a Neo Química Arena, a Fazendinha, o Ginásio Wlamir Marques e a piscina olímpica. A expectativa é que, com essas medidas combinadas, a relação entre dívida e geração de caixa caia de forma escalonada, saindo do patamar atual para níveis de quatro a cinco anos ao final do período projetado.
A proposta de separação do futebol
Além da questão fiscal, Santoro defende a separação administrativa entre o futebol profissional e o Parque São Jorge. A ideia central é blindar o departamento de futebol contra interferências políticas, garantindo autonomia plena para decisões técnicas e gerenciais. Na proposta, as duas áreas operariam com estruturas de governança, jurídico, marketing e financeiros completamente distintos.
Neste modelo, o clube manteria a propriedade da marca Corinthians, sendo remunerado pelo futebol através de royalties. Essa estrutura permitiria que o caixa do clube social e a operação do futebol não se misturassem, evitando que as oscilações de um setor prejudiquem diretamente a gestão operacional do outro.
Trajetória e próximos passos
Rozallah Santoro, engenheiro e executivo da área financeira, já esteve na linha de frente da gestão corinthiana em 2024, quando ocupou o cargo de diretor financeiro no início da administração de Augusto Melo. Sua saída, ocorrida em junho daquele ano, foi motivada por divergências em relação à autonomia de sua pasta e decisões políticas internas. O cenário político atual coloca sua proposta como uma alternativa técnica para a recuperação econômica do clube.
O próximo passo para a viabilidade desses planos depende do processo eleitoral corinthiano, onde tais diretrizes devem passar pelo crivo dos associados. A implementação, caso ocorra, exigirá não apenas aprovações estatutárias, mas uma reforma administrativa profunda para consolidar a separação entre o social e o departamento de futebol profissional.


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