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Bastidores

Ex-diretor aponta Osmar Stabile como responsável pela contratação da Bear Security

Em manifestação ao MP-SP, Fábio Soares Souza afirma que a contratação da empresa de segurança sob investigação partiu diretamente da presidência do clube.

Logotipo do Sport Club Corinthians Paulista na fachada do Parque São Jorge.
Fábio Soares Souza atribuiu ao presidente alvinegro a decisão de contratar a Bear SecurityRodrigo Coca / Agência Corinthians

Ex-diretor aponta Osmar Stabile como pivô de investigação sobre segurança

A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre possíveis irregularidades na contratação da empresa Bear Security Ltda. pelo Corinthians atingiu um novo patamar de gravidade. O ex-diretor administrativo Fábio Soares Souza, em manifestação formal enviada aos investigadores, imputou diretamente ao presidente Osmar Stabile a responsabilidade pela escolha e contratação da prestadora de serviços, negando qualquer participação de sua antiga diretoria no processo de decisão.

O caso ganha relevância para o clube devido às implicações éticas e administrativas sobre a atual gestão. Segundo os documentos revelados pela ESPN, a contratação da empresa, que também prestava segurança pessoal a Stabile, teria sido conduzida sem a participação do departamento administrativo, contrariando ritos que deveriam envolver diversos setores do Parque São Jorge.

Hierarquia e suposta confusão patrimonial

Em seu depoimento por escrito, Fábio Soares Souza detalhou como a dinâmica de trabalho no clube era exercida sob o comando de Stabile. O ex-dirigente afirmou que, embora o contrato tenha passado formalmente pelo Jurídico, Compliance e Financeiro, a decisão original e o direcionamento estratégico eram exclusividades do presidente, sintetizando a rotina com a frase: “O Presidente decidia e os demais cumpriam”.

O depoimento também levanta sérias dúvidas sobre o uso da empresa de segurança. Souza afirmou que via os profissionais atuando nas dependências do clube, mas negou conhecimento sobre a utilização desses seguranças em compromissos particulares de Stabile e de sua família fora do Corinthians. O ex-diretor classificou a possível utilização da estrutura do clube para fins privados como uma irregularidade que deve ser rigorosamente apurada pelas autoridades competentes.

Clima de desgaste e 'assassinato de reputação'

Fábio Soares Souza não poupou críticas ao ambiente político que encontrou no Corinthians, descrevendo-o como “radioativo”. O ex-diretor relatou ter passado por um processo de desgaste de imagem e um suposto “assassinato de reputação”, tentando ser responsabilizado pela presidência por falhas na conferência de notas fiscais e licenças após o início das suspeitas. Ele ainda pontuou que o cenário de incertezas também afetou outros quadros da gestão, citando o afastamento repentino do Diretor de Tecnologia, Marcelo Munhoes, motivado por questões políticas.

O relato de Souza reforça o conflito aberto entre as partes envolvidas. Em sua nota, ele enfatizou que nunca obteve qualquer vantagem financeira ou pessoal durante seu período no cargo, lamentando o impacto que as manchetes sobre a investigação causaram em sua vida familiar e profissional.

Próximos passos e silêncio do clube

Após a manifestação de Souza, o promotor Cassio Conserino reforçou o entendimento de que a iniciativa da contratação da Bear Security partiu exclusivamente de Osmar Stabile. A investigação segue em andamento para esclarecer a fundo as irregularidades apontadas e determinar as responsabilidades contratuais.

Até o momento, o Corinthians optou por não se pronunciar oficialmente sobre as acusações feitas pelo ex-diretor. Enquanto o Ministério Público continua o trabalho de apuração, o ambiente político alvinegro segue sob pressão, com o caso alimentando pedidos internos por transparência e um resgate da integridade administrativa do clube.

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