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Bastidores

Elenco do Corinthians busca união isolada de interferência política

Jogadores tentam blindar ambiente do CT Joaquim Grava após declarações da presidência sobre pagamentos e influência externa.

Jogadores do Corinthians em treino no CT Joaquim Grava
Corinthians tenta voltar a vencer para tirar o time da zona do rebaixamento no Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Elenco se fecha para blindar vestiário contra crise política

O elenco do Corinthians adotou uma postura de união interna na tentativa de superar o momento crítico na temporada. O objetivo central dos jogadores é isolar o cotidiano do futebol no CT Joaquim Grava das turbulências políticas que rondam o Parque São Jorge, especialmente após as declarações do presidente Osmar Stabile.

A medida ganhou força após a derrota para o Vasco, no último sábado (24). Em coletiva, Stabile negou qualquer desconforto dos atletas quanto aos atrasos de pagamentos e afirmou que a relação com o grupo segue harmoniosa. A versão da diretoria, no entanto, é frontalmente contestada por relatos de pessoas ligadas ao departamento de futebol, que apontam um clima de desconfiança generalizada.

Desgaste com a gestão e falta de transparência

A relação entre os atletas e a cúpula do clube atingiu seu ponto mais crítico. Se nos primeiros meses de gestão o presidente Osmar Stabile ainda contava com o respeito dos jogadores, a falta de contato direto e a dificuldade em obter respostas claras sobre o pagamento de salários, direitos de imagem e premiações minaram a confiança do grupo ao longo de 2026.

O desconforto é agravado pela presença frequente do vice-presidente Armando Mendonça em viagens e jogos, que, segundo apurou o UOL Esporte, sempre foi mal vista pelo elenco. A saída de figuras que atuavam como interlocutores, como o ex-diretor Marcelo Paz, também pesou, já que ele era visto como o principal responsável por buscar soluções para o cumprimento dos compromissos financeiros.

Interferência política no CT Joaquim Grava

Além das questões salariais, a interferência direta de conselheiros e figuras políticas na rotina do CT é apontada como um fator de desestabilização. Há relatos de jogadores que foram alertados por seus agentes sobre a perda de espaço na equipe após conversas de bastidores entre conselheiros e a presidência.

Para os atletas, essa ingerência ultrapassa a barreira administrativa e afeta diretamente o trabalho esportivo. As saídas de profissionais como Fabinho Soldado e Dorival Júnior, somadas ao desligamento recente de Paz, reforçaram o receio do grupo com a falta de autonomia do departamento de futebol diante das decisões políticas da cúpula alvinegra.

A busca pela coesão em momento decisivo

Apesar do desgaste externo, o grupo tenta evitar que problemas de relacionamento pontuais sejam interpretados como um racha. O elenco avalia que as diferenças de afinidade não devem se sobrepor à necessidade de união na reta final do Campeonato Brasileiro. Até mesmo situações envolvendo Memphis Depay, monitoradas desde outubro, são tratadas internamente como parte da relevância que o atleta possui para o plantel.

Com a equipe ocupando a 18ª colocação no Brasileirão, com 33 pontos, os jogadores buscam retomar o espírito coletivo que marcou conquistas como a Copa do Brasil de 2025. O foco é transformar esse pacto de união em resultados imediatos dentro de campo para evitar o rebaixamento, em um cenário onde a conexão entre os atletas, que se perdeu após a eliminação na Libertadores, precisa ser reconstruída urgentemente.

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