Movimento busca romper com o vitaliciedade no Corinthians
O cenário político do Corinthians enfrenta uma nova movimentação, desta vez protagonizada pelo grupo "Voz do Associado". A organização deu início a um abaixo-assinado com o objetivo de convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para votar a extinção dos cargos de conselheiros vitalícios e dos membros natos do Conselho de Orientação (CORI). A pauta central defende a renovação dos órgãos diretivos e a devolução da soberania política ao quadro associativo do clube.
O movimento sustenta que o modelo atual de conselheiros vitalícios, que ocupam cadeiras por tempo indeterminado, ignora o sentimento da torcida e blinda os ocupantes de processos transparentes de prestação de contas. Com uma postura apartidária, o grupo argumenta que os atuais mandatos permanentes afastam a participação direta do sócio, conferindo a poucos um poder que deveria, em sua visão, ser submetido ao voto periódico.
A estrutura atual e as críticas do grupo
Atualmente, o Corinthians mantém 100 conselheiros vitalícios. Estes membros possuem permanência garantida no Conselho Deliberativo, cessando apenas por falecimento, renúncia, inadimplência ou casos de quebra de ética. De maneira análoga, o CORI possui membros natos, que garantem assento vitalício devido a cargos de prestígio ocupados em gestões anteriores. Essa configuração política é o alvo direto da campanha, vista pelos organizadores como um empecilho para a oxigenação administrativa.
Ao descrever o cenário, o "Voz do Associado" é enfático: "Conselheiros vitalícios e natos tratam o clube como propriedade deles, ignorando o sentimento de milhões de torcedores". A busca pelo fim dessas cadeiras perpétuas reflete um desejo de maior democratização, onde a responsabilidade dos dirigentes seja medida pela confiança dos sócios e não pelo histórico de cargos passados.
Base legal e os desafios da mobilização
Para transformar o descontentamento em ação prática, o movimento apoia-se em pilares do Direito. A mobilização utiliza o artigo 45, inciso IV, do Estatuto do Corinthians, que prevê a possibilidade de convocação de Assembleia Geral por um quinto dos associados com direito a voto. Complementarmente, o grupo baseia-se no artigo 60 do Código Civil, que assegura aos associados o direito de promover convocações assembleares.
O desafio prático é significativo: a meta é reunir 2.300 assinaturas para formalizar o pedido. Até o levantamento mais recente, 151 associados haviam aderido à causa. O abaixo-assinado está sendo conduzido através do site oficial do movimento, buscando sensibilizar o corpo de sócios sobre a importância de retomar a participação nas decisões políticas do clube.
O caminho para a Assembleia Geral
A coleta de assinaturas representa apenas a primeira etapa de um processo burocrático complexo. Caso o número mínimo de 2.300 adesões seja alcançado, o "Voz do Associado" deverá submeter o requerimento formal aos órgãos competentes do clube para análise e eventual agendamento da Assembleia Geral. Se aprovada, o desfecho da votação poderá alterar significativamente o peso político dos conselheiros no Parque São Jorge.
O movimento destaca que essa iniciativa é um mecanismo previsto nas regras do clube, mas que, segundo os organizadores, nunca foi plenamente utilizado pelos associados. A persistência nesta estratégia sinaliza que o debate sobre a governança e a extinção de privilégios vitalícios deve ganhar contornos mais acentuados nas próximas semanas, forçando uma discussão interna sobre o futuro da gestão corinthiana.


Ainda não há comentários. Seja o primeiro a participar.