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Bastidores

Eliminação na Libertadores acentua crise financeira e limita fluxo de caixa

Fora da competição continental, Corinthians perde premiação milionária que serviria para quitar dívidas e pendências com o elenco.

Jogadores do Corinthians lamentam eliminação na Neo Química Arena
UOL Esporte

O baque financeiro da eliminação

A eliminação do Corinthians nas quartas de final da Libertadores diante do Estudiantes, consolidada nesta semana, representa um duro golpe nas finanças do clube para a temporada de 2026. Ao deixar o torneio continental, o Timão deixou de embolsar 2,3 milhões de dólares — cerca de R$ 11,8 milhões na cotação atual — que seriam pagos pela Conmebol em caso de classificação para a fase semifinal. No total, o clube encerrou sua trajetória na competição com R$ 25,6 milhões arrecadados, valor distante da projeção de até R$ 166,6 milhões que o título renderia aos cofres alvinegros.

Essa perda é significativa não apenas pelo valor nominal, mas pela oportunidade perdida de equilibrar o fluxo de caixa. Com o encerramento das atividades em copas, o Corinthians perdeu a chance de gerar uma receita que ajudaria a amenizar a crise interna, em um momento em que a gestão busca alternativas para sanar pendências acumuladas.

Pendências com elenco e salários

O impacto da eliminação reflete diretamente nas obrigações com o grupo de jogadores e a comissão técnica. Horas antes do confronto decisivo contra o Estudiantes, a diretoria realizou o pagamento dos salários de agosto, que estavam atrasados há dez dias. Esse movimento foi fundamental para reduzir a dívida pendente, que chegava a R$ 40 milhões, mas o cenário ainda exige atenção.

Atualmente, o clube ainda possui um passivo de aproximadamente R$ 15 milhões a ser quitado com o elenco. Este montante é composto por cerca de R$ 10 milhões em direitos de imagem e entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões referentes a premiações de campeonatos. A premiação que o clube deixou de ganhar na Libertadores serviria para cobrir quase 90% de todo esse débito atual com o plantel.

O obstáculo dos transfer bans

Para além dos pagamentos internos, a saúde financeira do departamento de futebol continua comprometida por restrições externas. O Corinthians segue impedido de registrar novos jogadores devido a três transfer bans ativos, que travam a movimentação do clube no mercado. A dívida que motiva essas punições soma R$ 21,5 milhões.

O valor que seria recebido com a chegada à semifinal da Libertadores representaria cerca de 55% de todo o recurso necessário para liquidar as pendências que resultam nesses bloqueios. Sem esse fôlego financeiro adicional, a diretoria enfrenta um cenário mais restritivo para buscar soluções que permitam o registro de novos atletas em futuras janelas.

Cenário esportivo e próximos passos

Com a saída precoce da Libertadores e da Copa do Brasil, o Corinthians terá apenas o Campeonato Brasileiro como foco para o restante da temporada. O momento, contudo, é de extrema cautela: o time acumula cinco derrotas consecutivas na competição nacional, sequência que alterou bruscamente as pretensões da equipe na tabela.

Após ocupar uma posição próxima ao G-6 há cinco rodadas, o Timão viu sua distância para a zona de classificação da Libertadores de 2027 aumentar, enquanto a proximidade com o pelotão que luta contra o rebaixamento se tornou a principal preocupação. Sem o alívio das premiações de mata-mata, o clube agora depende exclusivamente de uma recuperação técnica no Brasileirão para estabilizar sua situação esportiva e financeira.

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