Dale CoringãoPróximos jogos
Abrir menu
Bastidores

Perícia aponta que Corinthians pode ser credor da Caixa na Neo Química Arena

Novo relatório técnico contesta dívida bilionária da Arena e sugere que clube teria valores a receber da instituição financeira; MP-SP investiga o caso.

Fachada da Neo Química Arena sob iluminação noturna.
Imagem: PETER LEONE/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO

Uma virada histórica na dívida da Arena

A relação financeira entre o Sport Club Corinthians Paulista e a Caixa Econômica Federal acaba de ganhar um capítulo que pode reescrever a história do clube. Um dossiê técnico, assinado por Anísio Costa Castelo Branco, do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), aponta que o Timão, ao contrário do que se debate há anos, seria credor da instituição bancária no contrato de financiamento da Neo Química Arena.

A perícia detalha que a dívida de 640 milhões de reais — montante amplamente reconhecido no mercado e em balanços oficiais — não teria respaldo técnico. Segundo o estudo, houve uma cobrança indevida por parte da Caixa que ultrapassa a casa dos 255 milhões de reais. O documento vai além e estima que, somando os cálculos corrigidos de valores pagos indevidamente, o Corinthians teria a receber cerca de 510 milhões de reais.

O perito por trás do laudo

O responsável pela análise, Anísio Costa Castelo Branco, possui um histórico sólido na área. O profissional, que fundou a CAJESP (Centralizadora de Cálculos Judiciais e Extrajudicial) em 2009, busca agora respaldo institucional para a sua tese. O perito afirma ter tentado apresentar os dados às gestões anteriores de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, mas não obteve a atenção necessária para a gravidade dos cálculos.

Diferente de aventureiros que, ao longo dos últimos anos, prometeram soluções mágicas para o passivo corintiano, Castelo Branco sustenta sua posição com biografia técnica e dados. Com a recusa de apoio pelas diretorias passadas, o perito encontrou no Ministério Público de São Paulo o canal adequado para protocolar a documentação que contesta o passivo bilionário.

MP-SP instaura procedimento administrativo

Diante da robustez dos dados apresentados, o promotor de Justiça Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, abriu um procedimento administrativo para investigar o caso. A promotoria agora trabalha para verificar a precisão dos cálculos e a legitimidade das cobranças que foram efetuadas pelo banco público durante a quitação da Neo Química Arena.

O procedimento é fundamental para que o caso deixe o campo das suposições e entre no âmbito jurídico oficial. Se as inconsistências forem confirmadas, a investigação também deverá buscar as razões pelas quais tais equívocos não foram identificados antes, questionando quem se beneficiou ou foi omisso durante o período em que a dívida foi gerida como real e incontestável.

Impactos e próximos passos

Para o Corinthians, a confirmação desta tese representaria o maior alívio financeiro de sua história centenária. Em um momento de constante busca por equilíbrio nas contas e redução de juros, a anulação de um passivo de 640 milhões de reais e o possível crédito a receber mudariam drasticamente o patamar de investimento do clube.

Neste momento, a Fiel aguarda os próximos desdobramentos do inquérito do MP-SP. O clube, por meio das vias legais, deve acompanhar de perto a auditoria das contas para definir como reagirá formalmente contra a Caixa. O próximo passo confirmado é a apuração técnica conduzida pela promotoria, que validará se o alvinegro está diante de uma reparação histórica ou de uma falha contratual sem precedentes no futebol brasileiro.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a participar.