MP aperta o cerco sobre as contas do Corinthians
O Corinthians atravessa um momento de extrema pressão jurídica no Regime Centralizado de Execuções (RCE). Nesta segunda-feira (26), o Ministério Público de São Paulo protocolou um pedido na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais exigindo explicações sobre movimentações financeiras que totalizam R$ 58,8 milhões. O promotor Roberto Victor Anelli Bodini busca transparência sobre pagamentos à Caixa e operações envolvendo a Nike, em um cenário onde o clube é acusado de descumprir o cronograma de pagamentos aos credores.
Divergências sobre pagamentos à Caixa e à Nike
A controvérsia maior gira em torno de R$ 26 milhões que o clube alega ter pago à Caixa Econômica Federal em junho. A administradora judicial Laspro aponta que o Corinthians não apresentou documentação comprobatória do desembolso, classificando o valor como quitação de dívida anterior ao RCE. O clube sustenta que o montante refere-se a juros e adiantamentos à Arena Itaquera S.A., mas o MP exige extratos bancários e balanços para não glosar o lançamento e recalcular os valores devidos.
Simultaneamente, o Ministério Público questiona R$ 32,8 milhões recebidos da Nike em agosto. O valor, que entrou e saiu do caixa no mesmo dia, foi registrado como 'operação financeira' e, por isso, ficou fora da base de cálculo do RCE. Caso essa verba fosse classificada como receita, a parcela mensal destinada aos credores saltaria de R$ 7,6 milhões para R$ 14,2 milhões.
Risco de sanções e pendências na CNRD
A situação do clube se agrava devido a débitos na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF. Credores, como a empresa do empresário André Cury, informaram à Justiça o descumprimento de acordos que somam R$ 76 milhões em atraso. O risco iminente para o Timão é sofrer punições desportivas, como o impedimento de registrar novos jogadores, além da retomada de execuções individuais e bloqueios de contas por parte de outros credores como a Pixbet e a RC Consultoria.
Próximos passos e a ameaça ao plano de pagamento
O RCE, que centraliza uma dívida de R$ 238,8 milhões, está em risco diante da falta de transparência alvinegra. O clube não entregou os documentos contábeis de agosto e setembro e mantém o site oficial do regime desatualizado desde junho. O MP agora aguarda que a Justiça determine a apresentação imediata dos contratos com a Nike e o Daycoval, além da atualização da lista de pagamentos, sob pena de o Corinthians perder a proteção contra bloqueios judiciais e enfrentar a execução direta de suas dívidas.


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