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Negócios

Corinthians articula com a Caixa quitação da Arena via Naming Rights

Clube busca acordo para encerrar dívida de R$ 630 milhões envolvendo o estádio; conversas em Brasília incluem mudança na gestão de ativos financeiros.

Neo Química Arena durante partida do Corinthians.
1 de 2 Corinthians x São Paulo na Neo Química Arena pela final do Brasileirão Feminino — Foto: Anderson Romão/AGIF

Movimentação em Brasília por uma solução definitiva

A diretoria do Corinthians intensificou as negociações com a Caixa Econômica Federal visando uma solução definitiva para o passivo da Neo Química Arena. O débito, que hoje totaliza cerca de R$ 630 milhões, é um dos principais motores da grave crise financeira do clube, que acumula um endividamento geral na casa dos R$ 2,8 bilhões. Com o objetivo de equacionar essas contas, o presidente Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho estiveram em Brasília na última semana para alinhar os detalhes da proposta com a instituição bancária.

O otimismo demonstrado pelos dirigentes corintianos após a reunião reflete a expectativa de um desfecho positivo para o clube. A pauta, considerada prioritária pela gestão atual, é vista como um passo essencial para a saúde financeira da instituição, embora o contexto político de eleições presidenciais e do Conselho Deliberativo, agendadas para 28 de novembro, traga um cenário de cautela e ceticismo por parte de alguns setores alvinegros.

Proposta de naming rights e ativos financeiros

O coração da proposta alvinegra reside na transferência dos naming rights da Neo Química Arena para a Caixa Econômica Federal. Atualmente, o contrato vigente com a Hypera Pharma rende ao clube R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, valor que a diretoria do Timão considera defasado. A estimativa interna é que o ativo possua um valor de mercado próximo a R$ 70 milhões por temporada.

Além da exploração do nome do estádio, que seria cedido ao banco por um período determinado como forma de quitação da dívida, o Corinthians propõe um pacote mais amplo de serviços bancários. Isso inclui a centralização de todas as operações financeiras do clube na Caixa — abrangendo pagamentos de salários e contas correntes — além do lançamento de títulos de capitalização e a integração do Fiel Torcedor com produtos bancários da instituição.

Demandas imediatas e impacto no fluxo de caixa

Para aliviar o fluxo de caixa durante as tratativas, o clube também solicitou a liberação de R$ 27 milhões que estão atualmente retidos em uma conta reserva, conforme estabelecido no contrato de renegociação assinado em 2022. Paralelamente, o Corinthians busca junto à Caixa a suspensão temporária do pagamento das parcelas da dívida enquanto o diálogo sobre a proposta de naming rights estiver em curso.

Essas medidas são encaradas pela diretoria como fundamentais para dar fôlego operacional ao clube. Caso o acordo com o banco estatal avance, a estratégia traçada pela equipe de Stabile prevê, como alternativa para a atual parceira, a oferta dos direitos de nome de outras instalações do Corinthians, como o CT Joaquim Grava.

Próximos passos e posicionamento das partes

O cronograma das negociações segue em ritmo de expectativa. O assunto está na pauta de debate do Conselho Diretor da Caixa Econômica Federal, com uma reunião prevista para esta terça-feira. Este encontro será decisivo para indicar o viés que o banco estatal dará à proposta apresentada pela diretoria corintiana.

Oficialmente, a Caixa mantém a cautela. Procurada, a instituição informou ao portal ge que não comenta operações bancárias específicas ou eventuais negociações, citando a proteção conferida pelo sigilo bancário conforme a Lei Complementar 105/2001. Enquanto isso, o Corinthians segue aguardando o posicionamento oficial do banco para definir os próximos passos de sua reestruturação financeira.

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