Mobilização decisiva no Parque São Jorge
O futuro político do Sport Club Corinthians Paulista está em jogo neste sábado, 19 de setembro, durante a Assembleia Geral (AG) realizada no Parque São Jorge. Em um movimento de união, seis das principais torcidas organizadas do clube — Gaviões da Fiel, Camisa 12, Estopim da Fiel, Fiel Macabra, Coringão Chopp e Pavilhão 9 — publicaram uma nota conjunta conclamando a torcida e os associados a comparecerem ao local entre 9h e 17h para votar a reforma do Estatuto Social.
O principal objetivo dessa mobilização é a aprovação do ponto 1 da cédula, que prevê a concessão do direito de voto ao Associado de Futebol, categoria vinculada ao programa Fiel Torcedor. A medida, caso aprovada, permitiria que esses torcedores participassem das decisões políticas do clube a partir de 2026, desde que cumpram o requisito de três anos de adimplência contínua.
Limites e alcance da medida
Para garantir clareza e evitar interpretações equivocadas entre a base alvinegra, as torcidas organizadas reforçaram uma restrição técnica crucial sobre a proposta: o Associado de Futebol que obtiver o direito ao voto não terá, em hipótese alguma, acesso às dependências sociais, esportivas ou recreativas do clube. O benefício é restrito estritamente à esfera política.
Ao defender a medida, os grupos evocaram a histórica frase de Miguel Battaglia, primeiro presidente do Corinthians: 'O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time'. As organizadas argumentam que modelos de sucesso em outros grandes clubes ao redor do mundo demonstram que um programa de sócio-torcedor robusto é um pilar de sustentação financeira, defendendo que a democratização é um passo necessário para a modernização institucional.
Um clube em momento de crise
A urgência desta convocação está diretamente atrelada ao cenário de instabilidade vivido pelo Timão. Atualmente sob os efeitos de um transfer ban que impossibilita a inscrição de novos reforços, o Corinthians enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história. As torcidas atribuem essa situação ao acúmulo de dívidas e à perda de competitividade esportiva, consequências de anos de má gestão tanto da atual diretoria quanto das que a antecederam.
Para os movimentos organizados, a aprovação do ponto 1 é vista como um 'passo concreto' diante da inércia administrativa, capaz de aproximar o torcedor das decisões fundamentais do clube. A expectativa é que essa abertura amplie a participação popular e ajude o Corinthians a superar os desafios atuais, garantindo que o clube seja gerido com foco na sustentabilidade e no reconhecimento de quem, segundo as organizadas, sustenta a instituição.
Próximos passos na Assembleia
A votação acontece neste sábado, dentro do Parque São Jorge, em horário fixado das 9h às 17h. A presença dos sócios é o fator determinante para o sucesso ou não da reforma estatutária proposta. A orientação das torcidas signatárias é direta: o voto deve ser no 'APROVO' no primeiro ponto da cédula. O resultado desta Assembleia definirá se o Corinthians seguirá um novo modelo de governança com a inclusão de seus sócios-torcedores no pleito eleitoral dos próximos anos.


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